domingo, 5 de agosto de 2012

A poesia em mim...


Ao longo da vida há sempre algo que nos influencia. Falo de influências positivas. Ou assim as acho eu… Influências que nos levam a amadurecer, melhorar, aprender… Pensar! Lembro-me de pessoas e factos que me têm influenciado. A eles estou grata. Por eles publico este post.
Na adolescência tive um professor, de francês, que nos falava de Baudelaire. Desmistificando a complexidade da sua poesia. Eu gostava da explicação que ele fazia dos poemas. Ao mesmo tempo, ia-nos ensinando os contextos gramaticais e lexicais. E… assim comecei a apaixonar-me pela poesia. Achava que a sentia.
Secretamente comecei a escrever os “meus poemas” em cadernos pautados. Um tinha a capa verde, ou outro era amarelado. Cada vez que escrevia um poema sentia-me orgulhosa, mas… guardava-os. Sentia vergonha se alguém os visse. Achava que não poderiam compreender o sentimento que eu depositava naquelas palavras. Naquelas linhas. Durante quase um ano enchi os dois cadernos. Entretanto o dito responsável – professor de francês – deixou de nos dar aulas e passou a dar português noutra turma. Senti pena. Contudo ele continuava a conversar connosco.
Um dia, enchi-me de coragem ou perdi a sensatez e… mostrei-lhe os meus dois caderninhos “atafulhados” de poesia livre. Amavelmente levou-os dizendo que os iri ler. Fiquei nervosa e arrependida. Queria-mas-não-queria. Ele leu-os. Fez anotações. Tenho a certeza que compreendeu o quadro: uma adolescente a passar pela fase de querer aprender e impor o seu sonho: a poesia. Quando mos devolveu, falou-me de  uma maneira muito simples e franca, mas amável. Disse-me que teria ainda de ler mais poesia. Conhecer vários autores. Analisar. Compreender e interpretar. Mas que devia continuar naquilo a que eu já considerava uma vocação: escrever.
Recomendou-me alguns poetas para que eu os lesse. Naquela altura não havia mesadas grandes e, por isso, pedi aos meus pais que me oferecessem aqueles livros: pelos anos, Natal ou… quando eles quisessem (mas eu tinha urgência!).
Li-os de ponta a ponta. Voltei a lê-los. Reli-os. Uns, compreendia (interpretava-os à minha maneira, é claro!); outros… nem tanto. Mas o gosto pela poesia foi crescendo.  Foi ficando entranhado em mim. Ficou. Ainda o tenho. Mas… já não escrevo poesia.
Curiosidade: só passados uns anos vim a saber quem era o responsável por esta “influência”. Sim, o professor. Gastão Cruz.


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