Ao longo da vida há sempre algo que nos influencia. Falo de influências positivas.
Ou assim as acho eu… Influências que nos levam a amadurecer, melhorar,
aprender… Pensar! Lembro-me de pessoas e factos que me têm influenciado. A eles
estou grata. Por eles publico este post.
Na
adolescência tive um professor, de francês, que nos falava de Baudelaire.
Desmistificando a complexidade da sua poesia. Eu gostava da explicação que ele
fazia dos poemas. Ao mesmo tempo, ia-nos ensinando os contextos gramaticais e
lexicais. E… assim comecei a apaixonar-me pela poesia. Achava que a sentia.
Secretamente
comecei a escrever os “meus poemas” em cadernos pautados. Um tinha a capa
verde, ou outro era amarelado. Cada vez que escrevia um poema sentia-me
orgulhosa, mas… guardava-os. Sentia vergonha se alguém os visse. Achava que não
poderiam compreender o sentimento que eu depositava naquelas palavras. Naquelas
linhas. Durante quase um ano enchi os dois cadernos. Entretanto o dito
responsável – professor de francês – deixou de nos dar aulas e passou a dar
português noutra turma. Senti pena. Contudo ele continuava a conversar
connosco.
Um
dia, enchi-me de coragem ou perdi a sensatez e… mostrei-lhe os meus dois
caderninhos “atafulhados” de poesia livre. Amavelmente levou-os dizendo que os
iri ler. Fiquei nervosa e arrependida. Queria-mas-não-queria. Ele leu-os. Fez
anotações. Tenho a certeza que compreendeu o quadro: uma adolescente a passar
pela fase de querer aprender e impor o seu sonho: a poesia. Quando mos
devolveu, falou-me de uma maneira muito
simples e franca, mas amável. Disse-me que teria ainda de ler mais poesia.
Conhecer vários autores. Analisar. Compreender e interpretar. Mas que devia
continuar naquilo a que eu já considerava uma vocação: escrever.
Recomendou-me
alguns poetas para que eu os lesse. Naquela altura não havia mesadas grandes e,
por isso, pedi aos meus pais que me oferecessem aqueles livros: pelos anos,
Natal ou… quando eles quisessem (mas eu tinha urgência!).
Li-os
de ponta a ponta. Voltei a lê-los. Reli-os. Uns, compreendia (interpretava-os à
minha maneira, é claro!); outros… nem tanto. Mas o gosto pela poesia foi
crescendo. Foi ficando entranhado em
mim. Ficou. Ainda o tenho. Mas… já não escrevo poesia.
Curiosidade:
só passados uns anos vim a saber quem era o responsável por esta “influência”.
Sim, o professor. Gastão Cruz.
.jpg)
.jpg)
Sem comentários:
Enviar um comentário