...terra!
Não sendo muito o meu género celebrar o dia-mundial-do-que-quer-que-seja, este é um tema que muito me faz pensar e preocupar: a terra; a poluição; o meio ambiente. A preservação do nosso planeta é um assunto ao qual dedico atenção
A pensar neste tema, lembrei-me de um gato chamado Zorbas e de uma gaivota que dá pelo nome de Kengah. São dois animais simpáticos, personagens de uma bela história contada por Luís Sepúlveda (o escritor chileno que eu aprecio).
Aqui deixo um extrato:
O Fim de um Voo
O gato grande, preto e gordo estava a apanhar sol na varanda, ronronando e meditando acerca de como se estava bem ali, recebendo os cálidos raios pela barriga acima, com as quatro patas muito encolhidas e o rabo estendido.
No preciso momento em que rodava preguiçosamente o corpo para que o sol lhe aquecesse o lombo ouviu o zumbido provocado por um objecto voador que não foi capaz de identificar e que se aproximava a grande velocidade. Atento, deu um salto, pôs-se de pé nas quatro patas e mal conseguiu atirar-se para se esquivar à gaivota que caiu na varanda.
Era uma ave muito suja. Tinha todo o corpo impregnado de uma substância escura e mal cheirosa.
Zorbas aproximou-se e a gaivota tentou pôr-se de pé arrastando as asas.
- Não foi uma aterragem muito elegante - miou.
- Desculpa. Não pude evitar - reconheceu a gaivota.
- Olha lá, tens um aspecto desgraçado. Que é isso que tens no corpo? E que mal que cheiras! - miou Zorbas.
- Fui apanhada por uma maré negra. A peste negra. A maldição dos mares. Vou morrer - grasnou a gaivota num queixume.
- Morrer? Não digas isso. Estás cansada e suja. Só isso. Porque é que não voas até ao jardim zoológico? Não é longe daqui e lá há veterinários que te poderão ajudar - miou Zorbas.
- Não posso. Foi o meu voo final - grasnou a gaivota numa voz quase inaudível, e fechou os olhos.
- Não morras! Descansa um bocado e verás que recuperas. Tens fome? Trago-te um pouco da minha comida, mas não morras - pediu Zorbas, aproximando-se da desfalecida gaivota.
(...)
in"História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar"
Esta fábula é muito bonita e cheia de ternura, com ela aprendemos muito porque chama a atenção da poluição irresponsável dos oceanos por parte das companhias de navegação e petrolíferas.
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