Kimitake Hiraoka escolheu Yukio Mishima como nome artístico.Nasceu em Tóquio e teve uma infância difícil, marcada por acontecimentos que marcaram fortemente a sua escrita. Em criança foi separado dos pais e passou a viver com a avó paterna. A avó não lhe permitia grandes liberdades e ele tinha de estar sempre debaixo de olho... Esta educação tão dura fez com que ele tivesse uma infância isolada.
Deixou obra. Estes são os meus preferidos.
Aqui fica um pouco de "O marinheiro que perdeu as graças do mar"
(...) Mas Noboru não era capaz de se manter sentado e quieto. Saltou para fora do carro e percorreu o cais cheio de movimento, inspeccionou os batelões amarrados em baixo e explorou os hangares que não estavam fechados.
Dentro do maior, empilhadas quase até às vigas de aço verdes do telhado, havia caixotes novos de madeira branca com cantoneiras metálicas pretas e com palavras em inglês impressas nas faces laterais. Ao percorrer com a vista uma via de manobras que ia desaparecer por entre as montanhas de mercadorias, Noboru sentiu o mesmo arrepio de alegria que, nos sonhos em que entram comboios, todas as crianças sentem ao chegar ao fim da linha, e também um certo desapontamento: era como percorrer o curso de um rio familiar e descobrir a sua minúscula nascente.
- Mamã! Mamã! - Correndo para o carro, Noboru batia com as mãos no vidro da janela: tinha descoberto Ryuji de pé junto do molinete da âncora, à proa.
Fusako saiu do carro e acenaram ambos para o vulto distante, Ryuji, de camisa de kaki suja, levantou uma mão em resposta e desapareceu logo, atarefado. Noboru dedicava os seus pensamentos ao marinheiro que estava a trabalhar e em breve iria partir; sentia-se cheio de orgulho. (...)

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