Confesso que não gosto mesmo nada de fazer balanço no final do ano. Também não é meu hábito criar muitas expectativas em relação ao seguinte. As minhas prioridades vão para a união da minha família e amigos e a saúde de todos. O resto... vem ao ritmo que vier.
Contudo, não posso deixar de recordar que neste ano que acaba tive "ganhos" e uma enorme perda. Foi triste, mas será recordado tal como a recordo a ela. Vejo o mundo a correr, o tempo a passar, nós a continuarmos a nossa vida e eles já não nos podem acompanhar mais.
Recomponho o meu estado de espírito e observo a beleza simples de uma cor, de uma planta... E o azul, sempre o azul!
... talento! Era uma vez... - Hoje quem faz o jantar sou eu. - Tu...? Não, deixa lá: eu faço! - Estás a ver, eu quero fazer mas tu não deixas. Eu bem quero... - Mas... - Eu agora até tenho um avental novo. Lembras-te...? - Sim... - Está dito: hoje vou fazer Huevos Revueltos!
E ela lá condescendeu. Pensou que talvez não fosse má ideia. Estaria "disponível" (???) para voltar a pôr a cozinha em ordem após a experiência altamente técnica. Correu bem. Com muita técnica. E ela pensava: tal e qual como na televisão...
Sim: o avental até que é giro!!!
O segredo está na técnica: envolver q.b.
E por esta altura o cheiro a Huevos Revueltos já percorria a cozinha e... fazia salivar. Ouviam-se os vizinhos perguntar: Mas de onde vem este inebriante cheiro a Huevos Revueltos...? Eles não faziam a mínima ideia quem era Le Chef!!! E as vizinhas cantarolavam:
Chegou a hora e foram jantar romanticamente à luz da vela.
Manhã fria e chuvosa. Este dia demorou a chegar. Em fuga para o sul acompanhados por nós próprios e um café bem quente...
Fomos no: Comboio Descendente (Fernando Pessoa)
Nocomboio descendente
Vinha tudo à gargalhada,
Uns por verem rir os outros
E os outros sem ser por nada —
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...
No comboio descendente
Vinham todos à janela,
Uns calados para os outros
E os outros a dar-lhes trela —
No comboio descendente
Da Cruz Quebrada a Palmela...
No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E os outros nem sim nem não —
No comboio descendente
De Palmela a Portimão...
A nossa viagem foi para além de Portimão. Atravessámos a planície e o sol decidiu acompanhar-nos. Da minha janela eu vi:
A paisagem era um convite ao pensamento. Ás memórias. Recordei gente(s), momentos e cheiros. Quantas vezes o Alentejo foi atravessado e não foi visto. Hoje senti-o. Ia de coração cheio. Ter uma família que se admira, que se ama, que nos apoia e que está sempre bem juntinha dentro de nós. Somos um clã. Foi assim que nos "iniciaram". Temos cumprido os ensinamentos.
Chegámos!
Já eram horas!
Ela esperava-nos. Elas esperavam-nos. Eles também!
Habituada à calma do quotidiano, foi um alvoroço. Os sons, as bolinhas com a saliva, o riso ingénuo, o olhar admirado... Conheceu mais "dois" da família.
"Vitória! Já conheço mais dois barulhentos!!! Parece que gostam de mim. Ela diz que eu sou parecida com o meu pai; ele... fala de percentil... não percebo nada desta conversa. Bom, vou dar-lhes mais uns minutos até que mudem de conversa e parem de me exigir um sorriso..."
Recordo O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry
"Foi então que apareceu a
raposa.
- Olá, bom dia!
– disse a raposa.
- Olá, bom dia!
– respondeu delicadamente o principezinho que se voltou mas não viu ninguém.
- Estou aqui –
disse a voz – debaixo da macieira.
- Quem és tu? –
perguntou o principezinho – És bem bonita…
- Sou uma
raposa – disse a raposa.
- Anda brincar
comigo – pediu – lhe o principezinho – Estou tão triste…
- Não posso ir
brincar contigo – disse a raposa. – Não estou presa…
- Ah! Então,
desculpa! – disse o principezinho.
Mas pôs – se a
pensar, a pensar, e acabou por perguntar:
- O que é que
"estar preso" quer dizer?
- Vê-se logo
que não és de cá – disse a raposa. – De que é que tu andas à procura?
- Ando à
procura dos homens – disse o principezinho. – O que é que "estar
preso" quer dizer?
- Os homens têm
espingardas e passam o tempo a caçar – disse a raposa. – É uma grande maçada! E
também fazem criação de galinhas! Aliás, na minha opinião, é a única coisa
interessante que eles têm. Andas à procura de galinhas?
- Não – disse o
principezinho. – Ando à procura de amigos. O que é que "estar preso"
quer dizer?
- É uma coisa
que toda a gente se esqueceu – disse a raposa. – Quer dizer que se está ligado
a alguém, que se criaram laços com alguém.
- Laços?
- Sim, laços –
disse a raposa. – Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho
perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu
também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa
igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me prenderes a ti, passamos a
precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu
também passo a ser única no mundo…
- Parece-me que
estou a começar a perceber – disse o principezinho. – Sabes, há uma certa
flor…tenho a impressão que estou presa a ela…
- É bem
possível – disse a raposa. – Vê- se cada coisa cá na Terra…
- Oh! Mas não é
da Terra! – disse o principezinho.
A raposa pareceu
ficar muito intrigada.
- Então, é
noutro planeta?
- É.
- E nesse tal
planeta há caçadores?
- Não.
- Começo a
achar- lhe alguma graça… E galinhas?
- Não.
- Não há bela
sem senão… – disse a raposa.
Mas a raposa voltou a
insistir na sua ideia:
- Tenho uma vida
terrivelmente monótona. Eu caço galinhas e os homens caçam- me a mim. As
galinhas são todas iguais umas às outras e os homens são todos iguais uns aos
outros. Por isso, às vezes, aborreço- me um bocado. Mas, se tu me prenderes a
ti, a minha vida fica cheia de Sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de
todos os outros passos. Os outros passos fazem- me fugir para debaixo da terra.
Os teus hão de chamar- me para fora da toca, como uma música. E depois, olha!
Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? Eu não como pão e, por isso,
o trigo não me serve para nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar de
nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então,
quando eu estiver presa a ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há de
fazer-me lembrar de ti. E hei de gostar do barulho do vento a bater no trigo…
A raposa calou – se e
ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho.
- Por favor…
Prende- me a ti! – acabou finalmente por dizer.
- Eu bem
gostava – respondeu o principezinho - mas não tenho muito tempo. Tenho
amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer…
- Só conhecemos
as coisas que prendemos a nós – disse a raposa. – Os homens, agora, já não têm
tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como
não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo,
prende – me a ti!
- E o que é que é
preciso fazer? – perguntou o principezinho.
- É preciso ter
muita paciência. Primeiro, sentas – te um bocadinho afastado de mim, assim, em
cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada. A
linguagem é uma fonte de mal - entendidos. Mas todos os dias te podes
sentar um bocadinho mais perto…
O principezinho
voltou no dia seguinte.
- Era melhor
teres vindo à mesma hora – disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro
horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais
feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei de estar toda agitada e inquieta:
é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei
a que horas hei de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo
bonito… São precisos rituais.
- O que é um
ritual? – perguntou o principezinho.
– Também é uma
coisa de que toda a gente se esqueceu – respondeu a raposa. – É o que faz
com que um dia seja diferente dos outros dias e uma hora, diferente das outras
horas. Os meus caçadores, por exemplo, têm um ritual. À quinta – feira, vão ao
baile com as raparigas da aldeia. Assim, a quinta – feira é um dia maravilhoso.
Eu posso ir passear para as vinhas. Se os caçadores fossem ao baile num dia
qualquer, os dias eram todos iguais uns aos outros e eu nunca tinha férias.
Foi assim que o
principezinho prendeu a si a raposa."
Manuel Curros Enriquez, escritor, poeta galego (1851-1908).
Quis o destino que o livro mais polémico e controverso, à época..., viesse parar às mãos da nossa I.. O livro chama-se Aires d'a Miña Terra.
Quis também o destino que a nossa I.. tivesse desabafado que há alguns anos atrás um eminente professor da Universidade de Oslo, também ele galego, lho tivesse entregue como gratidão, pois para ele tinha um enorme significado. Ele sabia que este livro iria ficar em boas mãos. E ficou!
Mas... de que livro se trata?
Pois bem: este foi o meu encontro com M. Curros Enriquez.
Ao ser publicado o referido livro (em 1880) o Bispo de Ourense fez emitir um edital no qual o condenava por conter afirmações heréticas, blasfémicas e escandalosas... A censura fez com que os exemplares que se encontravam em poder do editor, fossem destruídos. O autor foi processado por crime contra o livre pensamento de culto. Foi condenado em Ourense e absolvido na Corunha. Perdeu o emprego que na altura tinha e foi para Madrid. Entrou para a redação do jornal republicano El Porvenir.
Este era o livro:
Mas este é o que ainda se encontra em poder da nossa I. e que ela conserva em memória do benemérito professor universitário. Edição limitada. Mas que me foi dado o privilégio de o folhear e... conhecer.
Obrigada I. Tens guardado este livro com o mesmo carinho e dedicação com que cuidas dos que te rodeiam e a quem dás tanto de ti.
O mundo não acabou...!!! Estamos todos cá. Sem exceção. Bem... quer dizer: há certas pessoas que ainda não se deram conta de que tudo continua igual, porque ainda estão aterrorizadíssimos nos bunkers que foram construídos em alguns países. Crenças! Cá para mim, esta gente não vai perdoar aos Mayas o dinheiro que gastaram. Logo agora: época de festas natalícias...
Tudo isto devido à interpretação incorreta do calendário Maya.
Ontem estivemos no Observatório Astronómico de Lisboa a assistir a uma palestra dada pelo Prof. Doutor Rui Agostinho. Foi bastante interessante, com uma assistência muito participativa e tornou-se muito dinâmico e compreensível.
Acabou por ser um momento de aprendizagem e pretexto para
Enquanto espero, observo. Inspeciono: não há dúvida quanto mais simples são os lugares, melhor me sinto. E agora há tantos pela cidade!!!
Continuo a observar e... dou por mim a cantarolar (em silêncio) o "We are the Champions"... porque um dos empregados me fazia lembrar o F. Mercury... E porque esperava por ti!
Atrevi-me a pedir antes de chegares...
Ok! As azeitonas ficam para ti... ah ah ah!!!!!
Curioso: olhei para o lado e dei com os olhos numa sugestão subtil:
Sem dúvida: a crise até ensina a comer. E é bem bom!!!!
Por fim, chegaste. Tagarelámos sobre a longa manhã de trabalho. Sentimos, uma vez mais, que é bom cortar o ritmo do nosso dia a dia.
... compôs: O Quebra-Nozes. Faz hoje 120 anos. Parabéns!!
Era uma vez...
... um quebra-nozes, com aspeto humano mas vestido de soldado. Tinha pernas e cabeça de um tamanho desmesurado.
Clara gostava muito da sua aparência e pediu ao padrinho que lho desse como presente de natal. Herr Dosslmeyer, o padrinho, que era fabricante de relógios, disse-lhe "Era precisamente para ti". Clara fica feliz e experimenta-o, reparando que ele nunca deixa de sorrir mesmo ao partir as nozes com a máxima eficiência . Mas... o irmão de Clara, Fritz, tendo observado o funcionamento do quebra-nozes, também o quis usar. Então, escolheu as maiores nozes que havia no cesto. Fritz usou o quebra-nozes de modo rude, grosseiro e acabou por lhe partir um dos braços, tendo-o deixado magoado.
Clara ficou tristíssima. O pai, ao vê-la tão infeliz entregou-lhe em exclusivo o dito quebra-nozes. Ela apanhou o braço que se tinha partido e consolou-o. Abraçou-o delicadamente. Adormeceu-o e ela... também.
Clara entra em sono profundo e sonha. Teve um sonho: Voltou ao lugar onde tinha escondido o seu quebra-nozes, mas... encontra o salão cheio de enormes ratazanas que Dosslmeyer tinha criado. A casa tinha desaparecido e no lugar onde tinham estado os móveis, agora havia árvores gigantescas. Também o quebra-nozes de Clara era agora um soldado em carne e osso e que tinha às suas ordens um pelotão de soldados como ele. Começa, então, uma batalha entre ratazanas e o pelotão do Quebra-Nozes. Batalha dura, difícil mas os soldados vencem-na. O bosque transformou-se numa linda estufa de inverno e o Quebra-Nozes num belíssimo príncipe que leva Clara até ao Reino das Neves... Lá apresenta-a à Rainha que ficou encantada co Clara. Ao fim de algum tempo, despedem-se e ambos seguem para o Reino dos Doces, pelo Caminho da Limonada, onde bolos, doçaria, guloseimas dançam com eles os dois.
Ao acordar deste sonho fantástico, Clara dá-se conta que tudo aquilo não tinha passado de u sonho e ficou triste. A realidade era outra! Vai-se despedir do padrinho que tinha ido para casa na companhia do sobrinho. Eis que, para grande surpresa de Clara, o sobrinho é na verdade o Príncipe Quebra-Nozes!!!
... é um termo que vem do latim e significa: técnica / habilidade. O conceito também tem variado de acordo com a época e a cultura.
Nesta época tenho tido o privilégio de reconhecer a manifestação de ordem estética de alguém que tem sabido usar a habilidade com a sensibilidade, paciência e dedicação. Tenho uma enorme admiração por esta Mulher. Tem sabido usar o talento em diversas manifestações. Dedicou-se à família de alma e coração e com bons resultados. Com o mesmo coração se tem dedicado à ARTE.
Nem o ovo da avestruz alentejana te escapou... E o poema está lindo!
Na nossa "galeria" estão patentes as tuas pinturas. E como elas nos enchem de cor e bem estar...
... lembrei-me! Chovem pais e filhos sobre os campos, terrenos de árvores húmidas, outono. Os pais tentam sempre proteger os filhos, essa é a natureza que corre nas árvores., essa é a lei e esse é o sentido. É outono e não poderia ser outra estação, começou o frio e a fome, olho a força dos campos pela janela submersa deste último outono e compreendo por fim a minha idade: chovem pais e filhos de mãos dadas. Lá longe, sou pai. Lá longe, sou filho