Manhã fria e chuvosa. Este dia demorou a chegar. Em fuga para o sul acompanhados por nós próprios e um café bem quente...
Fomos no: Comboio Descendente (Fernando Pessoa)
No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada,
Uns por verem rir os outros
E os outros sem ser por nada —
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...
No comboio descendente
Vinham todos à janela,
Uns calados para os outros
E os outros a dar-lhes trela —
No comboio descendente
Da Cruz Quebrada a Palmela...
No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E os outros nem sim nem não —
No comboio descendente
De Palmela a Portimão...
A nossa viagem foi para além de Portimão. Atravessámos a planície e o sol decidiu acompanhar-nos. Da minha janela eu vi:
A paisagem era um convite ao pensamento. Ás memórias. Recordei gente(s), momentos e cheiros. Quantas vezes o Alentejo foi atravessado e não foi visto. Hoje senti-o. Ia de coração cheio. Ter uma família que se admira, que se ama, que nos apoia e que está sempre bem juntinha dentro de nós. Somos um clã. Foi assim que nos "iniciaram". Temos cumprido os ensinamentos.
Chegámos!
Já eram horas!
Ela esperava-nos. Elas esperavam-nos. Eles também!
Habituada à calma do quotidiano, foi um alvoroço. Os sons, as bolinhas com a saliva, o riso ingénuo, o olhar admirado... Conheceu mais "dois" da família.
"Vitória! Já conheço mais dois barulhentos!!! Parece que gostam de mim. Ela diz que eu sou parecida com o meu pai; ele... fala de percentil... não percebo nada desta conversa. Bom, vou dar-lhes mais uns minutos até que mudem de conversa e parem de me exigir um sorriso..."
Uma boneca entre os bonecos...
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