sábado, 19 de maio de 2012

O acesso cultural...

... pode existir quando são permitidas as condições. 

Vou desabafar:

Sempre senti tristeza por os nossos museus terem um horário "de atendimento ao público" (acho que esta deve ser a terminologia...) muito curto. Quem é que os pode visitar? Só os reformados e/ou os jovens estudantes (na maioria, os estudantes do secundário. Espero não ser injusta mas, cá para mim, a maioria deles porque "vai com a escola"). Quem tem uma vida normal, isto é: de trabalho, não pode ir. Já fechou!! Mas logo aparecem os que perguntam: "Mas, porque não vão ao fim de semana...?". Pois é: só que se esquecem que os fins de semana também têm de ser organizados para muitas outras coisas, quando se trabalha. Penso que seria simpático ir até um museu ao fim da tarde. Apreciar mais ou apreciar menos. Sentar. Contemplar. Tomar qualquer coisa na cafetaria (deve haver sempre um local para descansar e "digerir") e ler o folheto... É isto que tenho visto em vários países por onde tenho tido a oportunidade de viajar. E nesses museus não há só turistas, nem reformados, nem miúdos barulhentos... Há nativos!
Mas... "Nem todos têm posses económicas para ir ao museu..." dirão outros. Balelas! Tretas! Se muita gente tem dinheiro para ir ao futebol, comprar ténis de marca, encher o carrinho do supermercado com bens não essenciais, ou comprar maços e maços de tabaco por semana... Também podem pagar um bilhete para entrar. É preciso criar estímulo. A quem cabe esta função...? Acho que sei, mas não digo. Só quero dizer mais uma coisa: nos Estados Unidos há uma política muito interessante. Vamos a um museu e está lá escrito o valor da entrada. Mas... logo por baixo, está pode-se ler: "preço sugerido". E então...? Então, quem pode paga, quem não pode não dá nada ou dá só uma quantia simbólica que considera poder pagar. E ENTRAM!

Ontem (dia 18), hoje e amanhã os nossos museus estão mais generosos. Entradas gratuitas a partir das seis da tarde e até à meia noite.
Estive num (antes do horário gratuito) a assistir a uma conferência. Foi com enorme prazer que vi uma verdadeira festa à saída. Festa, porque não é um facto diário, habitual. Só uma vez por ano!!! Pobreza franciscana... Vi gente de diferentes estratos sociais (assim me parecia...) e faixas etárias a entrarem para ver.
Depois, seguimos para outro museu. Fui mostrar um dos meus preferidos ao JP que nunca lá tinha ido. Incompatibilidade de horário. Pois, aquela história com que comecei o desabafo...!!! Havia grupos de pessoas muito interessadas e a tirar notas (leia-se: apontamentos!). Crianças levadas pelos pais. Crianças que ensaiavam um concerto. Dinâmica. Atividade. Sentia-se o acesso à cultura.
Foi muito bonito. Quando voltei para casa senti-me feliz por saber que muitos tinham aproveitado esta oportunidade.


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