domingo, 6 de maio de 2012

Para sempre...

Este ano calha a 6 de maio.
O teu último dia da mãe foi a 1 de maio de 2011. Recordo este dia como se fosse hoje. 
O Jorge estava na Madeira e eu fiquei por cá porque não estavas bem. Liguei-te de manhã (como era habitual) e combinámos que eu ia lá a casa para almoçar. A meio da manhã ligaste-me e perguntaste-me: "Ó filha, desculpa estar a ligar mas... eu não me estou a sentir nada bem... se puderes...". Larguei tudo e "voei" para a tua casa. Quando entrei estavas deitada na cama absolutamente branca, sem forças, a tremer e com uma lágrima a escorrer por me estares a incomodar. Nunca me querias incomodar. Eras assim: adoravas-me mas não eras possessiva. Respeitavas o meu espaço. Peguei-te na mão, dei-te beijinhos e disse-te para descontraíres, deite-se água com açúcar, pois deveria ser uma baixa de tensão.. Claro que não era. Eram as plaquetas. Nome com o qual me familiarizei. Passado algum tempo consegui que te levantasses e fomos almoçar o almoço que tinhas começado a preparar. Havia farófias para sobremesa - sabe-se lá com que sacrifício me fizeste a última sobremesa! A tarde foi passada na cama. Ansiava que o Jorge voltasse. Quando chegou ficámos contigo até à noite. Sempre fraca mas sorrindo com as patetices que eu ia dizendo e com o Jorge a contar como tinha sido o Congresso. 
Combinámos que te ia buscar no dia seguinte para ires fazer análises e recomeçar mais uma série de quimio...

... Foi assim o nosso último dia da mãe

Querida: tenho saudades tuas, mas sinto o teu cheiro, o teu sorriso. Amo-te.

Sem comentários:

Enviar um comentário