quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Caravaggio...

... recebeu uma encomenda de Laerzio Alberti para a sua capela, na Igreja das Carmelitas de Santa Maria della Scala, em Roma. Terminada a pintura, foi recusada pela paróquia:

A Morte da Virgem

Porquê a recusa...? Pois bem, aqui vai o que se sabe ou... contava na época:

Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610), identificado como pintor barroco e de caráter irascível, costumava usar as suas amigas, amantes para pousarem para ele. Também consta que não desenhava, pintava diretamente na tela. 

Nesta pintura há vários elementos para observar e analisar. Tenho aprendido muito: tenho aprendido que não basta parar frente a uma pintura e gostar ou não gostar; "atirar" opiniões... Não. Nada disso. É necessário não só um conhecimento de Arte, como de História e Filosofia. Estas ciências são, em absoluto, indissociáveis. Sinto-me uma pequeníssima aprendiz...
Adiante!

Em termos espaciais a Virgem, já defunta, está num primeiro plano. Contudo a posição em que se encontra não é muito ortodoxa da situação. O braço esquerdo estendido na horizontal... o ventre dilatado... as pontas dos dedos da mão direita já em pré-decomposição. Curiosamente, o rosto continua jovem, límpido, tranquilo, belo... não fora ela a Virgem. Mas também o modelo e amada de Caravaggio!!
Contudo também há uma outra mulher, cujo rosto está escondido, mas cheia de luz. Ombros, costas e nuca à mostra. Roupa leve (contrastando com as vestes pesadas dos outros "figurantes"). Figura  debruçada e transmitindo dor. A pose é curiosa: inspira alguma sensualidade...
Há uma luz forte que parece vir dos corpos, chegando mesmo a inundar o pálio (esta é uma das características assumidas do pintor). Também a bacia de cobre, aos pés da jovem, reflete essa luz e a cor do cobre dá uma certa frescura à pintura.  
Todo o ambiente é pesado, dramático: é a morte. Também o peso das indumentárias contribui para este ambiente.
Mas quem são estas personagens...? E... quantos são...?
Há uma figura à cabeceira que se percebe que está a sofrer, ainda que mantenha uma pose. Tem o queixo apoiado na mão. Este é um gesto codificado e que representa o luto. Como está colocado à cabeceira da Virgem, era a pessoa mais próxima. Era a ele que estava concedida a tarefa das exéquias. Mas, afinal... quem era/é ele? Tudo leva a crer que era S. João, o apóstolo.
E... os outros...? Os outros eram os onze apóstolos. Falta Judas... esse não estava lá!

Caravaggio não se preocupava com o espaço, ele tinha o talento, a arte, de nos envolver na pintura. Sentimo-nos nela. 

Como comecei por dizer, a pintura acabou por ser recusada por quem a tinha encomendado. Não era recomendável... Contudo, Rubens recomendou-a a Vincenzo Gonzaga, Duque de Mântua. Mais tarde foi vendida a Carlos I de Inglaterra e atualmente está no Museu do Louvre, em Paris.

Encontrei um pequeno vídeo que achei interessante. Vejamos:



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