quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Para ti...

... que hoje completas mais um ano. Parabéns!

Sentes-te triste. Os dias passam por ti e tu estás indiferente ao tempo e ao que se passa à tua volta. Estás cansado. Impaciente. Eu compreendo-te mas... não acreditas! Lamentas que ela já não esteja contigo, mas não o referes. Lamentas não te poderes movimentar e sentires que cada vez tens mais dificuldades. Os outros saem e tu aí ficas dia após dia. Como tu gostarias de sair, mas agora já não queres fazer esse esforço. Orgulho? Vergonha? Não sei. Acho que se há uns anos atrás imaginasses que este era o que te estava reservado, tinhas tido uma outra atitude perante a vida. Não te quero criticar. Às vezes fazes-me sentir cansaço; outras pena. Sei que dependes de mim e quero dar-te o melhor para minimizar as faltas que sentes.


E porque és muito guloso e o bolo não pode faltar...


82 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Saudade...

... foi o que hoje senti.



Da música. Daquela noite em Ipanema...



A cidade que eu não queria conhecer. Nem sei bem porquê. Contudo, deixou em mim um fascínio que me "traz" uma nostalgia sem palavras sempre que a recordo.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Serenata para seis vozes...

...(1729) de Francisco António de Almeida.

Il Trionfo d'Amore, serenata oferecida a D. João V por ocasião da festa litúrgica de S. João Evangelista, padroeiro do rei.


Enredo: Adraste e Nerida estão "prometidos pelos deuses" para se casarem. 
Os impulsos amorosos de Nerida por Arsindo comprometem o casamento.
 Após várias peripécias dramáticas, em que os jovens têm de enfrentar a ira dos pais,
o amor acaba por triunfar.

Uma lição!

Os Músicos Do Tejo

E foi assim, junto ao Tejo, numa tarde de chuva...


sábado, 19 de janeiro de 2013

A cor...

... dos meus dias e noites, dos sonhos, do mar, do céu. O azul. A minha cor preferida e nem sei (nem sabia...?) porquê. 

Eis que a Astronomia entrou cá em casa, sem se fazer anunciar. Tem convivido bem com o anfitrião e hoje soube porque é que o céu e o mar são azuis.


A ciência respondeu-me.

Com ele tenho observado a Via Láctea; as constelações...as estrelas. 
Sonha-se. Aprende-se. 



Ao subir à noite no terraço de um arranha-céu altíssimo e aflitivo pude tocar a abóboda noturna e em um ato de amor extraodinário apoderei-me de uma estrela celeste. Era uma noite negra e eu deslizava pelas ruas com a estrela roubada em meu bolso.
De trêmulo cristal parecia e era num átimo como se levasse um pacote de gelo ou uma espada de arcanjo na cintura. Guardei-a, temeroso, debaixo da cama para que ninguém a descobrisse, sua luz porém atravessou primeiro a lã do colchão, depois as telhas, e o telhado da minha casa.
Incômodos tornaram-se para mim os afazeres mais comuns. Sempre com essa luz de astral acetileno que palpitava como se quisesse retornar para a noite, eu não podia dar conta de todos os meus deveres cheguei a esquecer de pagar as minhas contas e fiquei sem pão nem mantimentos. Enquanto isso, na rua, se amotinavam transeuntes, boêmios vendedores atraídos sem dúvida pelo insólito clarão que viam sair de minha janela. Então recolhi outra vez minha estrela, com cuidado a envolvi em um lenço e mascarado entre a multidão passei sem ser reconhecido. Tomei a direção oeste, rumo ao rio Verde, que ali sob o arvoredo flui sereno. Peguei a estrela da noite fria e suavemente lancei-a sobre as águas. E não  me surpreendeu notar que se afastava como peixe insolúvel movendo na noite do rio seu corpo de diamante.

in "Ode a Uma Estrela", Pablo Neruda




segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Fervor de Buenos Aires...

... de Jorge Luis Borges 








EL SUR

Desde uno de tus patios haber mirado
las antiguas estrellas,
desde el banco de
la sombra haber mirado
esas luces dispersas
que mi ignorancia no ha aprendido a nombrar
ni a ordenar en constelaciones,
haber sentido el círculo del agua
en el secreto aljibe,
el olor del jazmín y la madreselva,
el silencio del pájaro dormido,
el arco del zaguán, la humedad
-esas cosas, acaso, son el poema.



Desde há muito que admiro este escritor, ensaísta, poeta e também tradutor. Argentino, de Buenos Aires. Viveu entre 1899 (24 de agosto) e 1986 (14 de junho). 

Borges e a escrita. Reflexões nítidas e que bem compreendo.



O Livro

Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso é, indubitavelmente, o livro. Os outros são extensões do seu corpo. O microscópio e o telescópio são extensões da vista; o telefone é o prolongamento da voz; seguem-se o arado e a espada, extensões do seu braço. Mas o livro é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação. 
Em «César e Cleópatra» de Shaw, quando se fala da biblioteca de Alexandria, diz-se que ela é a memória da humanidade. O livro é isso e também algo mais: a imaginação. Pois o que é o nosso passado senão uma série de sonhos? Que diferença pode haver entre recordar sonhos e recordar o passado? Tal é a função que o livro realiza.
(...) Se lemos um livro antigo, é como se lêssemos todo o tempo que transcorreu até nós desde o dia em que ele foi escrito. Por isso convém manter o culto do livro. O livro pode estar cheio de coisas erradas, podemos não estar de acordo com as opiniões do autor, mas mesmo assim conserva alguma coisa de sagrado, algo de divino, não para ser objecto de respeito supersticioso, mas para que o abordemos com o desejo de encontrar felicidade, de encontrar sabedoria. 
in "Ensaio: O Livro"



domingo, 13 de janeiro de 2013

Housewife...

... sometimes!

Há dias em que me "atiro" à criatividade gastronómica e é uma terapia.
Foi num desses momentos: salmão em cama de courgettes 
(que mais não são do que abobrinhas).  



Agora é assim: qualquer comida, por mais normal que seja, torna-se "sofisticada" 
se for em... cama de... 

Zzzzzz... que sono! Vou descansar!

sábado, 12 de janeiro de 2013

Nós portugueses...

... somos mesmo assim! Passamos os dias a contestar as novas medidas  impostas por eles. Refiro-me deste modo para expressar o meu desprezo... Dia após dia as notícias sobre o nosso futuro são cada vez mais deprimentes. São vagas e inconsistentes. Mas temos um caráter forte e não nos vamos abaixo. Eles que se cuidem. Podem tirar-nos quase tudo, menos... o sentido de humor. 
Em plena cidade de Lisboa encontrei um local de cultivo: no canteiro de uma árvore à porta de um restaurante. Cultivo que serve para uso doméstico. Cá se vai plantando... para comer!



É claro que isto não passa de uma brincadeira. Mas nunca vi dentro da minha cidade tantas quintinhas como agora. Proliferam. Bem organizadas e apoiadas pelas juntas de freguesia e Câmara Municipal. Ali se plantam para uso próprio e venda a conhecidos. E porque não...? 

Nós, portugueses, somos mesmo assim: sabemos dar a volta e continuar.  Mas... será que somos todos assim...? 

Sinto uma enorme tristeza por ver famílias a perder o que tinham e sem esperança de recuperarem. Sinto uma enorme tristeza por ver gente que vai à procura em caixotes de supermercado. Vão e vêm de cabeça baixa. Não posso nem imaginar o que lhes vai no coração. A vergonha que sentem. Sentem o desespero. Gente que perde o trabalho e o respeito dos outros. Gente que finge estar bem mas que estão em grande sofrimento. Crianças. Idosos. Meia idade. Tantos, tantos!!!

Ontem ouvi alguém dizer: " Hoje em dia já não sei o que é melhor: ter saúde ou ter trabalho... Bem... acho que é mesmo ter saúde, porque o resto vem por acréscimo." Este é o comentário da resignação e da coragem. Este é o nosso fado.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A bela Cosette...

... na obra de Victor Hugo: Os Miseráveis.


Obra escrita em 1862 e que revela a sociedade francesa no séc. XIX: a injustiça social, o misticismo e a fantasia.


Gostei. Gosto...

domingo, 6 de janeiro de 2013

Hoje é dia de...

... Reis.
É dia de venerar os três Reis Magos: Belchior, Baltazar e Gaspar.

Cada país tem a sua tradição neste dia. Eu sempre me lembro de duas na minha família: comer doze bagos de romã ao despertar...


... e comer Bolo-Rei. Este era o último dia em que o comíamos  antes de... 
voltar a ser natal!!!




Lembro-me de ouvir dizer que algumas pessoas guardavam três bagos de romã num saquinho de pano e depois punham na carteira: simbolizava as oferendas dadas ao Criador e serviam para se ter dinheiro, saúde, paz e amor...

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O Novo Ano chegou...

... e trouxe música.



O novo ano começou com um céu azul que me deixou alegre.
Alegre continuei: tenho uma família bonita (que muito prezo) e amigos.
Tenho um amor. Sinto-me saudável. Tenho um trabalho que me realiza. Tenho paz interior e sei bem o que quero...
Hoje quisemos música. Quisemos ouvir Johann Strauss II (pela OML e sob a direção do fantástico e expressivo Kynan Johns).

gongo e o bombo esperavam-nos... logo ali. Bem perto de nós...


Agradecemos que desliguem os telemóveis... 

Começou o concerto.


Fantástico! 
Vieram os aplausos.


 Foi de pé e com muitos aplausos que terminou. 
Não queríamos que terminasse. Queríamos mais, muito mais... Mas valeu!


Também valeu termos estado na companhia de amigos.



Não posso deixar de referir algo que me deixou muito sensibilizada. Na sala vi várias crianças. O concerto era para maiores de 3 anos...!!! Portaram-se de modo a darem uma lição a muitos adultos. Excelentes pais ou familiares que os educam na área da música. Parabéns!