A primavera está quase a chegar ao fim. O verão aproxima-se e as férias também... mas este frio... Ai! As camisolas continuam por arrumar no roupeiro de inverno. As flores, as flores... não estão viçosas como é hábito.
Os jacarandás que costumo ver diariamente ainda estão tímidos. Outros já não, mas são poucos. Até os "da" Feira do Livro estão com pouca flor.
...o início de uma época do ano que eu gosto. Gosto do cheiro das manhãs. Gosto da cor do céu quer de manhã quer ao fim do dia: pôr do sol laranja, vermelho...
É o mês da minha árvore favorita: o jacarandá. As ruas ficam lindas com o lilás das suas flores. É pena que durem tão pouco tempo. Mas... até gosto de ver os passeios cobertos pelas que vão caindo... Espirro muito, é certo, mas gosto da "minha árvore" que só vejo de ano a ano...
Príncipe Real - Lisboa
Também em maio começa a nossa romaria aos gastrópodes do FdoMJdosC. São os melhores da minha cidade. Ontem foi a estreia.
Hummm... estavam divinos os caracóis. A companhia também. Estar à conversa com os amigos é sempre muito bom. Fala-se de tudo um pouco ou vice-versa. Não importa. Rimos muito e aprendemos uns com os outros. Por exemplo: ontem "aprendi" um músico de jazz norueguês, graças à sabedoria do meu amigo JM.
Jan Garbarek
tenor e saxofonista soprano.
Muito bom!
Também é em maio que começam as nossas idas à feira do livro. Temos a casa cheia deles e achamos que já não há lugar para mais. Mas há sempre. Subimos e descemos. Olhamos e folheamos. Descobrimos. Compramos. Pelo meio há sempre a tradicional fartura cheia de açúcar e canela. Num outro dia é a vez do gelado...
Gosto muito, muito de lá ir.
Está quase... quase...
Mas será que maio só me enche de alegria? Não, não é verdade. Confesso. A partida começou "num" maio. Estava calor e foi o único ano em que não fui à feira. Tento, todos os dias, ultrapassar a dor.
... é diferente. Mundos diferentes. Vivências diferentes e, por vezes, desconcertantes. Vem tudo isto a propósito de uma notícias que li há dias e que me deixou perplexa. Uma criança aos quatro anos recebeu um presente dos pais: uma arma. Uma arma verdadeira. Os pais alegam que a ofereceram ao filho para ele se defender...!!! Aconteceu o inevitável. Um ano depois - agora já com cinco anos!!! - a criança "brincou" com a arma. Foi fatal: matou a irmã mais nova. Tudo isto se passou nos Estados Unidos, onde comprar uma arma é quase tão banal como comprar um par de sapatos.
Fiquei a pensar que tipo de educação, acompanhamento tem esta criança (e... se calhar muitas outras pelo Mundo fora...) durante a infância. Em que adulto se irá tornar?
Felizmente há crianças que brincam com o seu imaginário. Crianças inocentes e que se distraem com pouco, mas imaginativas. Não matam (ainda que construam castelos com muralhas para se defenderem dos maus...) mas brincam. Têm a infância que os irá servir em chegando a adultos.
Há dias, ao passear à beira mar, deparei-me com uma construção na areia feita por um garoto. Talvez tivesse seis ou sete anos. Imaginou, criou, ficou cheio de orgulho dele próprio, ainda que a onda o tivesse "derrotado" momentos mais tarde. Não importa: construiu. Deu vida a um belíssimo castelo com materiais à mão; areia e conchinhas. Fiquei a olhar, não sei bem quanto tempo... depois senti-me envergonhada por estar especada. Mas as diferenças são enormes.
Bravo, menino que desconheço o nome e a nacionalidade.
Do amor Do amor fica sempre uma canção. Fica um sinal na pele. Fica um sinal. Do amor fica um sim e fica um não. Fica o sol e a sombra. Fica o sal. Do amor fica sempre um coração a pulsar na memória o tempo breve de sua chama a arder um só verão. Fica uma réstea e um rasto de navio. Do amor o que fica é um passar que do amor como o tempo é ser um rio como um rio fluir e assim ficar. E por isso de amor este arrepio de se morrer (de se viver) de amar.
Manuel Alegre, in "Coisa Amar, coisas do mar"
Neste dia, há dois anos, ainda havia esperança dentro do teu coração. Querias proteger-nos da perda. Lutavas naquela cama rodeada de amor. Confesso: há momentos que esqueci o que fiz ou não fiz. Sei que o que fiz foi bem. Mas sei que não há um único dia em que tu não estejas em mim. Tal como no poema:
Do amor fica sempre um coração
a pulsar na memória
A tua planta. Aquela que regavas, cuidavas com a tua doçura. Aqui fica para ti.