LUZ!
Realiza-se em setembro a feira mais antiga do nosso país: a Feira da Luz. Remonta ao século XVI e nessa época fazia-se tradicionalmente uma romaria ao Santuário de Nossa Senhora da Luz. A feira era só um complemento das festividades religiosas que duravam vários dias. Era uma feira muito concorrida, não só pelos produtores de bens agrícolas como de gado. Esta parte da agora cidade era rural naquela época.
Para além do povo, aqueles a quem se chamava "saloio" e que vinham de Sintra e Mafra, também os homens do mar vinham a esta romaria em diferentes confrarias com os respetivos estandartes.
Mas... também a nobreza aparecia. Eram os nobres que passavam o verão nas quintas de Lumiar, Benfica e Carnide. Também vinham pessoas da capital (pasme-se: o passado e o presente!) e membros da casa real.
Sabe-se que D.João III e D.João IV, assim como as rainhas: D. Catarina e D. Carlota Joaquina, eram devotos e romeiros assíduos...
Naquela época vendiam-se imagens e artigos religiosos, medalhas, terços e... de tudo um pouco ligado à devoção religiosa.
Havia petiscos. Ai, sim: lá isso havia e os mais famosos eram as farturas.
Hoje comemorámos comendo uma. Melhor: uma e meia dada a generosidade e simpatia da família Gomes.
E fomos ver as "vendas". Agora aquilo que lá se vende é bem diferente, mas não deixou de ser curioso observar objetos que já só fazem (ou faziam...) parte do nosso imaginário, muitas das vezes levando-nos a recordar situações ou pessoas.
Veja-se o que por lá se vai vendendo...
Bacios (melhor: penicos. A palavra tem um som que me agrada!) de todas as cores: desde o azul bebé, ao rosa ou branquinho...
O mata moscas. Mais eficaz do que os atuais eletrocutores de insetos que fazem um zumbido chato quando algum é exterminado.
As panelas e tachos (atenção ao "progresso" e atualização da palavra!) em alumínio. Agora há a Bimby!!!!!!!!!!!!
O púcaro em esmalte. Sabia bem beber água por ele!
Andorinhas em barro e pintadas de preto. Serviam para... enfeitar as varandas. Era bucólico: a primavera nem que chovesse e fizesse ventania.
Os mealheiros!!!! Eram objeto de muito respeito: deitavam-se lá as moedinhas que os familiares nos davam e só o partíamos (pelo menos eu, partia) quando estivesse cheio. Dava para comprar a roupinha para o dia de natal ou páscoa.
Era assim.
Agora... já não é.
Há uns que se tiverem um mealheiro, está vazio ou só com uma moedinha para chocalhar.
Outros recebem a transferência bancária!
Foi um belo fim de tarde.
Já agora, gostava de saber porque é que há nomes tão, tão ...desajeitados:
Capitolina !!!!!!