terça-feira, 25 de setembro de 2012

"Queres brincar comigo...?"

..."Quero. Vamos brincar a quê...?"


Quer a pergunta quer a resposta são-me familiares. Esta manhã foram recordados alguns jogos que nos divertiam imenso e que eram tão simples. Graças à RA, VPC e IL (curiosamente, os homens, que já foram meninos..., não se lembravam de nenhum, a não ser de "jogar à bola"... ) veio-nos à memória alguns deles. No princípio... parecia que já nem sabíamos o que eram, mas depois palavra-puxa-palavra lá nos fomos recordando. Praticamente todos eles eram realizados ao ar livre: recreio da escola, jardim... Enfim, onde havia espaço. Eram jogos que criavam em nós o sentido da convivência, da inter ajuda, da cumplicidade. 
Estes jogos obrigavam-nos a "mexer":




Saltar à corda...







Saltar ao eixo...


Cabra-cega...



Jogo do lenço...







Enfim, as brincadeiras, os jogos eram muitos e variados. Tínhamos as nossas preferências, mas esta manhã aquele que mais saudade me deu foi...


Que Linda Falua...
Que linda falua,
que lá vem, lá vem,
é uma falua,
que vem de Belém.

Eu peço ao Senhor Barqueiro
que me deixe passar,
tenho filhos pequeninos
não os posso sustentar.

Passará, não passará,
algum deles ficará,
se não for a mãe à frente,
é o filho lá de trás.

O tempo passa e os jogos, os passatempos, são outros. Melhores? Piores...? Diferentes, acho eu. 
"Queres jogar na minha consola...?" "Boa!"

domingo, 23 de setembro de 2012

Em busca do sentido da vida...

...foi assim que Siddharta deixou a casa do pai e partiu.




Este livro foi-me oferecido há muitos anos. Lembro-me bem por quem.  Li-o e gostei. Interpretei-o à minha maneira. Agora voltei a pegar nele e a reler algumas partes. Não que eu esteja à procura do sentido da minha vida, ou pelo menos é assim que penso. Mas todas as metáforas e imagens deste livro fazem refletir.

Aqui fica uma passagem:

(...) Siddharta entrou na câmara onde estava o seu pai, sentado sobre uma esteira de ráfia; colocou-se atrás de seu pai e ficou de pé, até este sentir que alguém estava atrás dele. Falou o brâmane:
- És tu, Siddharta? Diz, então aquilo que tens para dizer.
Disse Siddharta: 
- Com a sua permissão, meu pai. Vim para te dizer que é meu desejo deixar a tua casa, amanhã, e juntar-me aos ascetas. Tornar-me um samana, esse é o meu desejo. Espero que o meu pai não se oponha.
O brâmane ficou silencioso, permaneceu silencioso por tanto tempo que na pequena janela as estrelas se deslocaram e a sua configuração se alterou, antes que o silêncio na câmara chegasse ao fim. O filho permaneceu de pé, com os braços cruzados, mudo e imóvel, o pai permaneceu sentado sobre a esteira, mudo e imóvel, e as estrelas cruzaram o céu. Então o pai falou:
- A um brâmane não fica bem proferir palavras bruscas e coléricas. Mas a indignação move o meu coração. Não quero ouvir tal pedido uma segunda vez da tua boca.
Lentamente, o brâmane ergueu-se; Siddharta continuava silencioso e de braços cruzados.
- Por que esperas? - perguntou o pai.
Disse Siddharta:
- Tu o sabes.
Indignado, o pai saiu da câmara. Indignado, dirigiu-se ao seu leito e deitou-se.
Uma hora mais tarde, porque o sono não vinha aos seus olhos, o brâmane levantou-se, caminhou para trás e para diante, saiu da casa. Olhando através da pequena janela da câmara viu Siddharta, de pé, com os braços cruzados, imóvel. O seu trajo claro resplandecia de brancura. Com o coração inquieto, o pai voltou para o seu leito.
Uma hora mais tarde, porque o sono não vinha aos seus olhos, o brâmane voltou a levantar-se, caminhou para trás e para diante, saiu para a frente da casa, viu a lua a nascer. Olhando através da janela da câmara viu Siddharta, imóvel, com os braços cruzados, a luz da lua reflectida nas suas canelas nuas. Com o coração apreensivo, o pai regressou ao seu leito.
E voltou uma hora mais tarde, e voltou duas horas mais tarde, olhou através da pequena janela, viu Siddharta de pé, à lua, sob as estrelas, nas trevas. E voltou a cada hora que passou, silencioso, olhou para a câmara, viu o homem de pé, imóvel, encheu o seu coração de ira, encheu o seu coração de inquietação, encheu o seu coração de medo, encheu-o de dor.
E na última hora da noite, antes do início do dia, voltou, entrou na câmara, viu o jovem de pé, que lhe pareceu grande e distante.
- Siddharta - disse ele -, porque esperas?
- Tu o sabes.
- Quererás tu esperar em pé, até chegar o dia, a tarde, a noite?
- Esperarei, de pé.
- Ficarás cansado, Siddharta.
- Ficarei cansado.
- Adormecerás, Siddharta.
- Não adormecerei.
- Morrerás, Siddharta.
- Morrerei.
- E preferes morrer, a obedecer a teu pai?
- Siddharta obedeceu sempre a seu pai.
- Estarás disposto a renunciar ao teu propósito?
- Siddharta fará o que o seu pai lhe disser.
O primeiro brilho do dia caiu na câmara. O brâmane viu que os joelhos de Siddharta tremiam ligeiramente. Mas no rosto de Siddharta não viu qualquer tremor; ao longe brilhavam os seus olhos. Então o pai compreendeu que Siddharta já não se encontrava junto a ele, na sua terra, que já o tinha deixado.
O pai tocou o ombro de Siddharta.
- Tu queres - disse ele -, ir para a floresta e ser um samana. Se encontrares a bem-aventurança na floresta, volta e ensina-me a bem-aventurança. Se encontrares a desilusão, então volta e voltaremos a oferecer sacrifícios aos deuses, juntos. Agora vai beijar tua mãe, diz-lhe para onde vais. Para mim está na hora de ir ao rio fazer as primeiras abluções.
(...)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Raffaelo Sanzio da Urbino...

... mais conhecido por Rafael (1483-1520), pintor do Alto Renascimento, pintou o retrato  do seu amigo cortesão, homem da corte, diplomata, humanista...:


 Baldassare Castiglione
(1514-1515)



(Museu do Louvre )

Fundo neutro, tom de terra, parece ser a razão para que o nosso olhar fique preso à pintura, ao olhar que nos olha. Que nos fixa. Rosto este que é visto quase de frente. Inigmático, vulnerável, melancólico... Quem sabe!
O dourado da incidência da luz sobre o rosto, particularmente sobre a testa, parece ser um sinal que caracteriza a sua inteligência.

Um desafio: 
Que paralelismo encontramos entre o retrato de Baldassare Castigliano e Gioconda, sua contemporânea? O olhar? A posição das mãos? A ligeira torção do corpo...? 

domingo, 16 de setembro de 2012

Eugénio de Andrade


     As palavras

São como um cristal, 
as palavras.
Algumas, um punhal, um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

in "Antologia Breve"


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Natureza morta...

,,, ou nem por isso...?


O pó que paira sobre os instrumentos musicais; a tensão no modo como os instrumentos se nos apresentam; a leveza que se sente na colocação dos mesmos; o fundo negro que transmite caráter religioso; a paleta "sóbria"... a luz. Até talvez a Bíblia...


Bartolomeo Bettera
(nasceu em Bergamo em 1639 e morreu em Milão em 1688) 

Época Barroca - séc. XVII

Falou-se da Vaidade. Falou-se da Vanitas com elementos naturais e da relação com o efémero. O que é efémero na pintura de Bettera? 

(Esta pintura encontra-se no Museu de Israel)

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Uma noite de...

... fashion na cidade... 






A moda é atrativa, é atraente. E quem é que lhe resiste...? Nós, as mulheres, somos muito exigentes... E eles...?


Dar ou não dar...

... eis a minha opinião:


Àquele comportamento social-protocolar de dar gorjeta eu digo: NÃO. Mas há quem dê... até porque muitas pessoas consideram que se o fizerem serão atendidas/recebidas com mais deferência na próxima vez e isso vai encher-lhes o ego; outros fazem-no só no sentido de se mostrarem gratos pelo serviço prestado; outros ainda para mostrarem que não têm só dinheiro para pagar o atendimento mas também para "ajudarem" o empregado, não querem fazer figura de fomenica. Tudo isto compreendo, mas... não aceito. 

Acho que cada um de nós deve fazer o seu trabalho de modo profissional sem que tenha de fazer um "esforço" extra para ser recompensado. Quando procuro serviço - qualquer que ele seja - pago-o de acordo com o exigido. 

Depois ainda há uma outra situação: fomos atendidos por certo empregado, atencioso, profissional e, no fim, deixamos uma gorjeta. Mas... esta gorjeta vai para a caixa das gorjetas e depois é distribuída vá-se lá saber com que sentido de equidade...



Há países onde a gorjeta é uma "obrigação" e varia de cidade para cidade. Vejamos o caso dos Estados Unidos. Nos cafés, restaurantes, hotéis a gorjeta é norma. Até está afixado - no caso dos hotéis - de um dólar por CADA mala que o empregado pega... 

Bem... há outros sítios onde não sendo obrigatória a gorjeta, ela é subtilmente solicitada... aconteceu-me na Rússia. Quando pedimos a conta veio  o pires com a conta e... uma nota de 1 dólar...:

Ainda que magoando a ética de muitos, eu NÃO dou. Se o serviço for ótimo, eu volto; se o (a) empregado(a) for simpático(a) eu sorrio, converso e faço sentir que gostei do serviço e que o está a fazer bem. Quando não... calo-me e continuo na minha: não dou. 


Divirto-me sempre muito a rever a série de David Larry... Também ele tem problemas com a gorjetas tal qual eu...





quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Chegaste...

...... HOJE! Eram 17:26... 


Foste desejada e serás amada, mimada por todos nós. 

A primeira vez que te "vi" foi no dia 6 de maio. Daí para cá tens sido o tema das nossas conversas. Desejávamos que te viesses juntar a nós e... cá estás!

Quero/Queremos que sejas muito FELIZ!

Bem vinda Minha Querida Emília.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Chapéus há muitos...

... seu palerma!


Lá isso é verdade... Mas também há barretes que se enfiam... mesmo sem querermos... E... há barretes e barretes!!! Uns até que são bem docinhos e que têm uma longa tradição ligada a um programa radiofónico. São uma espécie de queijadinha à base de laranja e amêndoa... Hummmm... uma delícia para gulosos como nós!!!


Com um café, na esplanada, numa tarde de setembro em fim de férias...



sábado, 8 de setembro de 2012

E lá fomos...

... até Escaroupim. Aldeia palafita na margem esquerda do rio Tejo. Veio-me à memória um livro lido há uns anos: "Os Avieiros" de Alves Redol. 

 (...) Embora a Sra. Clotilde não mostrasse boa cara quando os pais vinham visitá-la com frequência, eles apareciam no barracão sempre que andavam perto na lida das pescas. Mestre Feliciano punha-os à vontade, insistia, não maçavam coisa nenhuma, ora essa!
Zé Carramilo acompanhava-os também. Fizera-se um homem, moreno e arruçado, meão como o pai, mas largo de peito. Mostrava-se desconfiado junto da irmã, sem atinar conversa para ela. Olinda lembrava-se do tempo em que o Zé trazia uma corda do barco para lhe armar baloiço no ramo dalguma faia. Nem nesse tempo a tratava pelo nome. Era a sua menina e nada mais. (...)


No séc. XIX um grupo de migrantes, ligados ao mar, vieram de Vieira de Leiria para esta aldeia. Eram os avieiros. Como o mar em Vieira de Leiria era muito revolto no inverno e o vento impedia que os barcos entrassem no mar, estes homens tiveram que se dedicar a outros trabalhos e foi assim que alguns deixaram a sua terra e partiram em direção ao Tejo para se dedicarem à pesca do sável.

Estes pescadores nómadas viviam em casas de madeira que ainda hoje existem e que são - nos dias de hoje - museus e lojas de artesanato local. Coloridas e muito bonitas.




E lembrei-me do Almeida Garrett, in "Folhas" 

Pescador da barca bela,
Onde vais pescar com ela,
Que é tão bela,
Ó pescador?

Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Ó pescador!

Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela...
Mas cautela,
Ó pescador!

Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Ó pescador!

Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela,
Foge dela,
Ó pescador!


E lá viemos pelo...


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Não há bem...

... que sempre dure.

Pois é verdade: as férias de verão chegaram ao fim. Foram repartidas em dois períodos: um em junho e outro neste mês de setembro. Diferentes umas das outras, mas ambas boas. Agora há que esperar pelas próximas, lá para dezembro... Onde...? Há projetos na cabeça e fervilham!!!!

Comecei este post com um provérbio. Foi o que me ocorreu no momento para o caso. " Não há bem..." Qual bem? O bem de não fazer nada? Não fazer nada...  o que é isso? Nas férias fazem-se muitas coisas: fazem-se e desfazem-se malas; corre-se de um lado para o outro para ver isto e mais aquilo; põe-se em dia leituras e conversas; encontros e... desencontros... Vai-se à praia; untamo-nos com protetores solares; abrimos o chapéu de sol; estendemos as toalhas; vamos dar uma caminhada; vamos ao banho... 










Uffffa!!!! Que canseira!!!!!!!!!






Não, não estou triste por mais este período de férias ter chegado ao fim. Bem... gostava de estar mais tempo mas... MAS: o meu trabalho espera-me. E isto é muito bom. É bom ter um trabalho (sim: "trabalho", não um "emprego"...!) de que se gosta e muito. Sou feliz por isso. Não posso nem imaginar a depressão, angústia de quem passa uma vida a fazer aquilo de que não gosta mas tem de ser... Já cheguei a dizer que pagava para trabalhar... claro que foi um desabafo! Ninguém levou a sério... Felizmente! Mas eu gosto muito do que faço. Gosto do que me rodeia (pois, pois, pois... também há coisas das quais não gosto e... refilo) e sentir que se trabalha numa empresa onde as pessoas se preocupam umas com as outras, nos momentos difíceis e confraternizam em momentos de alegria. Pois... "... que sempre dure".

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Observei...

,,, vi... pensei... refleti... Foi assim na minha praia, hoje. O mar estava calmo. Tão calmo que me senti "ele". O céu estava pintado de uma neblina doce. O vento tocava timidamente nos corpos e o silêncio que se ouvia era-me desconhecido. O cheiro da maresia, do calor refletido nos grãos de areia... tudo era um convite ao pensamento em tempo de férias. 
Sabia que não estava sozinha, que tinha a meu lado a minha vida e... refleti. Subitamente percebi que não era a única a observar o espaço à minha frente. Ela também. Calma. Atenta. Com um porte digno de beleza, astúcia, esteve ali uma infinidade de tempo. Sempre a observar. E eu também. Era um desafio: qual das duas conseguia ficar mais tempo a observar...?



Então veio-me à memória um poema da Sophia de Mello Breyner Andresen...

Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.