... até Escaroupim. Aldeia palafita na margem esquerda do rio Tejo. Veio-me à memória um livro lido há uns anos: "Os Avieiros" de Alves Redol.
(...) Embora a Sra. Clotilde não mostrasse boa cara quando os pais vinham visitá-la com frequência, eles apareciam no barracão sempre que andavam perto na lida das pescas. Mestre Feliciano punha-os à vontade, insistia, não maçavam coisa nenhuma, ora essa!
Zé Carramilo acompanhava-os também. Fizera-se um homem, moreno e arruçado, meão como o pai, mas largo de peito. Mostrava-se desconfiado junto da irmã, sem atinar conversa para ela. Olinda lembrava-se do tempo em que o Zé trazia uma corda do barco para lhe armar baloiço no ramo dalguma faia. Nem nesse tempo a tratava pelo nome. Era a sua menina e nada mais. (...)
No séc. XIX um grupo de migrantes, ligados ao mar, vieram de Vieira de Leiria para esta aldeia. Eram os avieiros. Como o mar em Vieira de Leiria era muito revolto no inverno e o vento impedia que os barcos entrassem no mar, estes homens tiveram que se dedicar a outros trabalhos e foi assim que alguns deixaram a sua terra e partiram em direção ao Tejo para se dedicarem à pesca do sável.
Estes pescadores nómadas viviam em casas de madeira que ainda hoje existem e que são - nos dias de hoje - museus e lojas de artesanato local. Coloridas e muito bonitas.
E lembrei-me do Almeida Garrett, in "Folhas"
Pescador da barca bela,
Onde vais pescar com ela,
Que é tão bela,
Ó pescador?
Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Ó pescador!
Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela...
Mas cautela,
Ó pescador!
Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Ó pescador!
Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela,
Foge dela,
Ó pescador!
E lá viemos pelo...
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