terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Chegou ao fim...

... mais um ano.

Há quem deite fora velharias. Há quem vá para a rua fazer barulho para afastar os maus presságios que possam, eventualmente, afetar o novo ano. Há quem faça o balanço do ano. Há quem comece a preocupar-se com o próximo...

Há quem neste momento esteja eufórico e a celebrar a saída de 2013. Querem esquecer o passado que está quase a passar... Há quem esteja triste porque sabe que não vai haver mudança alguma na vida. 

Eu... nem eufórica, nem triste. Feliz! Mas feliz porque ainda tenho Saúde e Trabalho (do qual gosto muito). Feliz porque ainda tenho uma família que muito estimo e protejo (e que me protege). Feliz porque ainda tenho amigos sinceros. 

Muita gente à minha volta, nada disto tem. O ano foi difícil para muitos. Sem dúvida! Oxalá eu tivesse uma varinha mágica e pudesse com ela... tocar. Mudar... Ajudar... Concretizar os sonhos de todos.

Era bem bom! 

Mas há que cair na realidade e... aí está:


domingo, 22 de dezembro de 2013

Play it, Sam...

... Sam, surpreendido pela presença de Ilsa Lund, obedeceu e tocou...

... Time Goes By

Um drama romântico passado durante a II Guerra Mundial em Casablanca, quando estava sob o controlo da França de Vichy...


Ilsa despede-se de Rick (Richard...) no momento da partida para Lisboa. Um querer ir e querer ficar. Um amor dividido em tempo de guerra e de ideais a defender. 

Ingrid Bergman e Humphrey Bogart num filme de Michael Curtiz (1942) visto esta tarde numa sala de cinema em Lisboa...

sábado, 21 de dezembro de 2013

Truz...Truz...

... quem é...? Sou eu: o inverno, acabo de chegar e por cá vou ficar até ao dia 20 de março. Vou partir nesse dia pelas 16:57. Já tenho passagem de volta...

 Bem vindo!



A essência das coisas não está na filosofia, nem na política, nem em qualquer função intelectual. Está na reciprocidade do inconsciente que não encadeia. Só o que é humano, mas até o que é apenas vegetal ou inerte.
Agustina Bessa-Luís

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Esta época...

...enerva-me. Quase que sufoco com o caduco Jingle Bells por tudo quanto é sítio. Persegue-me! 
As pessoas carregam sacos de papel com o nome da marca ou loja, e assim são identificadas socialmente. Entendido...? É assim a sociedade. Vão contentes porque compraram. Sabe-se lá com que dificuldade, algumas delas. Mas compraram. Às vezes nem pensam se aquilo que compraram corresponde ao gosto de quem vai receber. Mas não interessa. Estava "dentro do preço" e mesmo "ali à mão" porque não há muito tempo para andar às compras. Dão mais ênfase ao papel decorativo e ao majestoso laçarote. Quanto maior... melhor! Oferece-se um presente de natal porque é assim todos os anos. É a tradição... O resto... pouco importa. Também vai haver reciprocidade... portanto, até parece mal se não se entra no "jogo" natalício.

Hoje recebi duas encomendas por correio. Curiosamente ambas vieram da mesma região: Algarve.
A minha colega C. (que revi há uma semana, durante um magnífico rallypaper pela serra de Sintra. Esta também foi uma "oferta" que me encheu as medidas. Divertimo-nos e aproximámo-nos. Convivemos bastante fora do local de trabalho e sem falar dele...) enviou-me um objeto útil feito de um material bem nosso: cortiça. Senti que era um presente bem pensado. Obrigada, C.
Outra encomenda, outro presente: este da minha querida A.M.. Não podia ser mais valioso! Uma foto de família num postal elaborado por ela; um licor de ameixa feito pelo casal com fruta da quinta e... chá de lúcia-lima que foi plantada com amor e apanhada com carinho por eles. Tudo embalado por eles, com marca própria. Lindo. 
Sempre considerei a simplicidade um sinal de inteligência. 

Eu continuo na minha. Tornei-me artesã... vá-se lá saber porquê...! É com prazer, entusiasmo, dedicação, amor que me tenho dedicado aos chocolatinhos. Lá vou fazendo. Uns de Toffee,  de Nougat, de Ginja, de Rum, de Côco... Depois empacoto/embalo de modo diferente para cada pessoa. Nenhum é igual. E assim tenho deliciado alguns... 

Dá-me um enorme prazer ao ver o sorriso no olhar de quem os recebe. 


Que bom, posso fazer alguém feliz!


E veio-me à memória, uma vez mais...



Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis.
Bertolt Brecht


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Faltam doze dias...

... para o inverno chegar. 

         A um Poema

A meio deste inverno começaram
a cair folhas demais. Um excessivo
tom amarelado nas imagens.
Quando falei em imagem
ia falar de solo. Evitei o
imediato, a palavra mais cromática.

O desfolhar habitual das memórias é
agora mais geral e mais súbito.
Mas falaria de árvores, de plátanos,
com relativa evidência. Maior
ou menor distância, ou chamar-lhe-ei
rigor evocativo, em nada diminui

sequer no poema a emoção abrupta.
Tão perturbada com a intensa mancha
colorida. Umas passadas hesitantes,
entre formas vulgares e tão diferentes.
A descrição distante. Sobretudo esta
alheada distância em relação a um Poema.

Fiama Hasse Pais Brandão, in “Nova Natureza”

Um belo dia de outono com o inverno a espreitar. Enquanto isso, os amigos estão presentes. Passeia-se. O caminho leva-nos até lá. Onde...? Sei lá!




domingo, 8 de dezembro de 2013

A Evolução do Pecado...

...irresistível!
Hoje foi um dia de pecado. Foi um dia doce. Foi um dia de aprendizagem e de descoberta. Quis o destino que a O.,(de há trinta e tal anos atrás...),viesse desvendar os" mistérios" do pecado. Curioso. Mas, adiante...

O Cacaueiro, árvore conhecida há mais de 3000 anos e que dá um fruto; fruto que tem uma polpa; polpa que tem uma semente e esta... dá o cacau. O  deus do pecado.


Árvore originária da América Central,
 que se dá em zonas húmidas e com sol: zonas equatoriais.
A Civilização Maia foi a primeira a valorizar o fruto desta árvore. Fruto apimentado e que devia ser comido com parcimónia e elegância, devido ao sabor amargo. Era oferecido diretamente pelos deuses aos homens. Era uma dádiva divina. Antes de Cristóvão Colombo era apenas consumido pelos sacerdotes.Também os Astecas deram grande importância a este fruto e fizeram uma bebida preta com especiarias.


Hummm... Já eles eram apreciadores! Agora ainda mais os admiro: temos uma paixão em comum!

Só no séc. XVII (+/- 1685) é que o cacau foi conhecido na forma de chocolate e, dez anos mais tarde, Renaud foi o primeiro chocolateiro a abrir uma boutique em Paris.

As barras de cacau eram "prescritas" como medicamento para dar força, virilidade, fertilidade e curar outras maleitas... Eram a medicina da época e, por isso, vendidas em drogarias (as atuais farmácias. Nada de confusões! Se bem que haja quem tenha dependência deste produto...). Em 1776, Mr. Roussel foi o merceeiro pioneiro a identificar o chocolate com o nome e a envolvê-lo em papel cinzento (estanho).
Apareceram as primeiras imagens nos rótulos (coisa que até aí não existia, havia uma enorme sobriedade na embalagem das barras de chocolate. Eram embrulhadas em papel amarelo. Amarelo, porquê? Porque estava ligado à cor do ouro. Da riqueza.).


Hummm... até parece que sinto o odor do cacau quentinho que aqui vem...!!!

Mas, vamos lá continuar!
Foi no séc. XIX que o chocolate se desenvolveu: Jean Meuier (1836) foi o precursor, criou a primeira tablete, seguiu-se Victor-Auguste Poulain.


Os dois foram os primeiros a inserir a imagem da criança nos rótulos de chocolate, assim como uma discreta inscrição a combater as imitações! É interessante: na primeira metade do séc. XIX!

Com a revolução industrial começaram a surgir as primeiras caixas e  latas em metal com chocolates. Foi em França.


Em 1897 a marca Masson usa imagens de Arte Nova, de Alphonse Mucha, nos seus rótulos. Mais um avanço na evolução do rótulo. Na sedução do pecado...


Também a Suiça é um país com tradição chocolateira. A Sprüngli é uma marca fundada em 1836. É a esta marca que a conhecida Lindt ainda está ligada.
Ainda na Suiça, em Serriéres, abriu uma fábrica, no ano 1826, conhecida como Chocolat Suchard.


Philippe Suchard (1797-1887) foi um suiço chocolatier e industrial.O sucesso surgiu após ter recebido uma ordem de mérito atribuída por Frederico Guilherme IV, rei da Prússia e príncipe de Neuchâtel em 1842. A partir daqui a fama cresceu  e ganhou vários prémios, quer em Londres, quer em Paris. Acabou por abrir a primeira fábrica no estrangeiro, em Lörrain, Alemanha. 
Continuando pelo país dos Alpes... Jean Tobler (1830-1905), suiço que aprendeu o ofício em St. Gallen, Dresden e Paris. Fundou a própria fábrica em 1899, mas foi o filho, Theodor Tobler, quem assumiu o controlo da mesma em 1900. Em 1908 foi produzida a barra de chocolate de leite triangular com mel e nougat que tem deliciado uma parte do mundo até aos dias de hoje.

O nome dado a esta barra de chocolate é uma junção entre: "Tobler" e "Torrone" (palavra de origem italiana e que é uma mistura de mel com nougat de amêndoa). 
Uma outra curiosidade: a forma triangular. Assim é, em representação das montanhas suiças, dos Alpes.
Da Suiça para a Itália...
Em Bolonha, a família Majani criou um império na área da chocolataria que ainda hoje é reconhecido.
Tudo começou com Teresina Majani em 1796. Inaugurou a "Sweet Things" em Bolonha, loja que começou a ter fama não só entre a aristocracia e o clero, mas também a burguesia e outras classes. Até aqui o chocolate era conhecido e ingerido na forma líquida. Foram abertas e disseminadas as primeiras lojas de chocolate desta família. Na segunda metade do séc. XIX, em 1832, foi inventado o Manjani Scorza: o primeiro chocolate sólido produzido na Itália. 

O chocolate Majani trouxe uma inovação a Gianduja: uma mistura de 70% de chocolate e 30% de creme de avelã.
Delicioso!
Da Itália para a Bélgica.
Charles Neuhaus

Leonidas

Godiva

Nesta viagem pela história do doce "pecado", a apresentação da embalagem tem vindo a sofrer modificações significativas. Começou por ser embrulhado em papel de estanho. Depois papel amarelo muito sóbrio. Vieram as imagens com as crianças e mais tarde com as mulheres e crianças. A estética de cada época tem-se imposto. Hoje é simples e atrativa. Elegante, também.

Mas voltemos atrás no tempo...
Viajemos até à Holanda.
Coenraad Johannes van Houten (1801-1887) foi um químico holandês, inventor e fabricante de chocolate.


Este holandês inventou uma máquina para o tratamento da massa de cacau com sais alcalinos. Desta forma tornou-se possível remover o sabor amargo do cacau e torná-lo mais solúvel em água. Boa ideia! 

Os  austríacos conseguem obter alterações espantosas nas papilas gustativas de qualquer um de nós com a deliciosa:


Sacher Torte
Humm... Nhammmi... Nhammiiii...

A verdade é que podemos dar a volta ao mundo e o chocolate está sempre presente. A mim persegue-me com insistência. Tal como está presente na:

Literatura - Laura Esquível

Cinema

Pintura - Renoir

La Tasse de Chocolat
Duchamp

La Broyeuse de Chocolat

Picasso

Foi um workshop bastante interessante. 
Desafiou-me para um mundo do qual eu só conhecia o sabor. 
No final tive um outro desafio: fazer uma embalagem em origami.


Lá dentro quatro maravilhosos chocolates: Ganache, Kaffir, Chá Verde e Yuzu.

Isto não vai ficar por aqui. Ai, não vai não...!!!!