domingo, 8 de dezembro de 2013

A Evolução do Pecado...

...irresistível!
Hoje foi um dia de pecado. Foi um dia doce. Foi um dia de aprendizagem e de descoberta. Quis o destino que a O.,(de há trinta e tal anos atrás...),viesse desvendar os" mistérios" do pecado. Curioso. Mas, adiante...

O Cacaueiro, árvore conhecida há mais de 3000 anos e que dá um fruto; fruto que tem uma polpa; polpa que tem uma semente e esta... dá o cacau. O  deus do pecado.


Árvore originária da América Central,
 que se dá em zonas húmidas e com sol: zonas equatoriais.
A Civilização Maia foi a primeira a valorizar o fruto desta árvore. Fruto apimentado e que devia ser comido com parcimónia e elegância, devido ao sabor amargo. Era oferecido diretamente pelos deuses aos homens. Era uma dádiva divina. Antes de Cristóvão Colombo era apenas consumido pelos sacerdotes.Também os Astecas deram grande importância a este fruto e fizeram uma bebida preta com especiarias.


Hummm... Já eles eram apreciadores! Agora ainda mais os admiro: temos uma paixão em comum!

Só no séc. XVII (+/- 1685) é que o cacau foi conhecido na forma de chocolate e, dez anos mais tarde, Renaud foi o primeiro chocolateiro a abrir uma boutique em Paris.

As barras de cacau eram "prescritas" como medicamento para dar força, virilidade, fertilidade e curar outras maleitas... Eram a medicina da época e, por isso, vendidas em drogarias (as atuais farmácias. Nada de confusões! Se bem que haja quem tenha dependência deste produto...). Em 1776, Mr. Roussel foi o merceeiro pioneiro a identificar o chocolate com o nome e a envolvê-lo em papel cinzento (estanho).
Apareceram as primeiras imagens nos rótulos (coisa que até aí não existia, havia uma enorme sobriedade na embalagem das barras de chocolate. Eram embrulhadas em papel amarelo. Amarelo, porquê? Porque estava ligado à cor do ouro. Da riqueza.).


Hummm... até parece que sinto o odor do cacau quentinho que aqui vem...!!!

Mas, vamos lá continuar!
Foi no séc. XIX que o chocolate se desenvolveu: Jean Meuier (1836) foi o precursor, criou a primeira tablete, seguiu-se Victor-Auguste Poulain.


Os dois foram os primeiros a inserir a imagem da criança nos rótulos de chocolate, assim como uma discreta inscrição a combater as imitações! É interessante: na primeira metade do séc. XIX!

Com a revolução industrial começaram a surgir as primeiras caixas e  latas em metal com chocolates. Foi em França.


Em 1897 a marca Masson usa imagens de Arte Nova, de Alphonse Mucha, nos seus rótulos. Mais um avanço na evolução do rótulo. Na sedução do pecado...


Também a Suiça é um país com tradição chocolateira. A Sprüngli é uma marca fundada em 1836. É a esta marca que a conhecida Lindt ainda está ligada.
Ainda na Suiça, em Serriéres, abriu uma fábrica, no ano 1826, conhecida como Chocolat Suchard.


Philippe Suchard (1797-1887) foi um suiço chocolatier e industrial.O sucesso surgiu após ter recebido uma ordem de mérito atribuída por Frederico Guilherme IV, rei da Prússia e príncipe de Neuchâtel em 1842. A partir daqui a fama cresceu  e ganhou vários prémios, quer em Londres, quer em Paris. Acabou por abrir a primeira fábrica no estrangeiro, em Lörrain, Alemanha. 
Continuando pelo país dos Alpes... Jean Tobler (1830-1905), suiço que aprendeu o ofício em St. Gallen, Dresden e Paris. Fundou a própria fábrica em 1899, mas foi o filho, Theodor Tobler, quem assumiu o controlo da mesma em 1900. Em 1908 foi produzida a barra de chocolate de leite triangular com mel e nougat que tem deliciado uma parte do mundo até aos dias de hoje.

O nome dado a esta barra de chocolate é uma junção entre: "Tobler" e "Torrone" (palavra de origem italiana e que é uma mistura de mel com nougat de amêndoa). 
Uma outra curiosidade: a forma triangular. Assim é, em representação das montanhas suiças, dos Alpes.
Da Suiça para a Itália...
Em Bolonha, a família Majani criou um império na área da chocolataria que ainda hoje é reconhecido.
Tudo começou com Teresina Majani em 1796. Inaugurou a "Sweet Things" em Bolonha, loja que começou a ter fama não só entre a aristocracia e o clero, mas também a burguesia e outras classes. Até aqui o chocolate era conhecido e ingerido na forma líquida. Foram abertas e disseminadas as primeiras lojas de chocolate desta família. Na segunda metade do séc. XIX, em 1832, foi inventado o Manjani Scorza: o primeiro chocolate sólido produzido na Itália. 

O chocolate Majani trouxe uma inovação a Gianduja: uma mistura de 70% de chocolate e 30% de creme de avelã.
Delicioso!
Da Itália para a Bélgica.
Charles Neuhaus

Leonidas

Godiva

Nesta viagem pela história do doce "pecado", a apresentação da embalagem tem vindo a sofrer modificações significativas. Começou por ser embrulhado em papel de estanho. Depois papel amarelo muito sóbrio. Vieram as imagens com as crianças e mais tarde com as mulheres e crianças. A estética de cada época tem-se imposto. Hoje é simples e atrativa. Elegante, também.

Mas voltemos atrás no tempo...
Viajemos até à Holanda.
Coenraad Johannes van Houten (1801-1887) foi um químico holandês, inventor e fabricante de chocolate.


Este holandês inventou uma máquina para o tratamento da massa de cacau com sais alcalinos. Desta forma tornou-se possível remover o sabor amargo do cacau e torná-lo mais solúvel em água. Boa ideia! 

Os  austríacos conseguem obter alterações espantosas nas papilas gustativas de qualquer um de nós com a deliciosa:


Sacher Torte
Humm... Nhammmi... Nhammiiii...

A verdade é que podemos dar a volta ao mundo e o chocolate está sempre presente. A mim persegue-me com insistência. Tal como está presente na:

Literatura - Laura Esquível

Cinema

Pintura - Renoir

La Tasse de Chocolat
Duchamp

La Broyeuse de Chocolat

Picasso

Foi um workshop bastante interessante. 
Desafiou-me para um mundo do qual eu só conhecia o sabor. 
No final tive um outro desafio: fazer uma embalagem em origami.


Lá dentro quatro maravilhosos chocolates: Ganache, Kaffir, Chá Verde e Yuzu.

Isto não vai ficar por aqui. Ai, não vai não...!!!!



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