terça-feira, 3 de julho de 2012

Dois dedos de conversa...

... na loja do bairro.
Ontem fui à mercearia do Sr. V.. Entrei e lá estava ele sentado no banquinho por trás do balcão. Conforme entrei e lhe dei as boas tardes, ele respondeu e ficou na mesma. Olhar vago e calmo. Como ele: sem pressas. Perguntei-lhe pela D. L. e pela neta, ao que me respondeu, com um brilho nos olhos, que a criança estava muito engraçada, já tenta falar e mais isto e mais aquilo, mas... sobre a D. L. (a mulher...) nada disse. Voltei a perguntar (porque pensei que ele não tinha ouvido) pela D. L. e ele... lá disse que ela andava com umas dores nas costas, tosse, cansada, mas... estava bem. Ok, pensei eu...
Como a conversa não saía dali, decidi pedir o que lá me levava. Ele... nada! Continuava sentado, a olhar calmamente para a montra em frente onde estavam os queijos e enchidos. Perguntou-me pela família e... sempre sentado. Sem qualquer manifestação de quem me queria despachar. Não. Ele queria antes conversar. Dei-lhe mais algumas "informações" e começou a falar do calor... depois dos aumentos que "vêm aí". E eu que estava cheia de pressa, não encontrava coragem para cortar o desenrolar das conversas sucessivas. Ele continuava calmamente, sorrindo e falando...


Esta não é a mercearia do Sr. V., mas podia ser... a dele está um pouco desarrumada, porque ele gosta de estar à conversa e de pensar (segundo a mulher diz).

Foi aquele momento que me fez escrever este post. Lembrei-me de quantas lojas de bairro, como esta, têm desaparecido. Lojas onde se ia e se cumprimentava pelo nome. Sorria-se e até se conheciam alguns gostos dos fregueses. Lembro-me das drogarias (ainda consigo sentir o cheiro...) onde se vendia uma panóplia de coisas. Por vezes até aquilo que não sabíamos onde ir encontrar... na drogaria havia! Depois, as retrosarias, as lojas de tecidos para se mandar fazer o vestido. 


Enfim, havia lojas. Hoje onde é que vamos? Ao supermercado. Quase tudo se vende lá. Entramos calados; não perguntamos o preço; servimo-nos sem demoras;  chegamos à caixa (onde muitas das vezes a (o) empregada(o) nem olha para nós quanto mais cumprimentar); dão-nos os sacos e nós... enfiamos as coisas lá dentro e saímos. Só sabemos o nome da(o) empregada(o) pela identificação que tem escarrapachada no uniforme. 

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