Será que cada um de nós está satisfeito com o nome que tem? Será que na infância "adoravam" ter outro nome, mas com o tempo... acostumaram-se? Não sei se isto aconteceu a muitas pessoas. A mim, sim. Achava o meu nome horrível, não tanto pela sonoridade do mesmo, mas porque levava muito tempo a escrever. Uffa! Ficava cansada! Felizmente que só tenho dois nomes próprios e um apelido materno e outro paterno, como se impunha e impõe... Talvez por isso (e não só...), não tenha acrescentado mais um apelido quando casei.
Mas... adiante!
Apesar de muitos nomes próprios serem mais ou menos bonitos, há o hábito de pôr diminutivo (ou... alcunha). Por vezes... patéticos. Veja-se: pimpolha, besnica, fofinha, texuguinha, etc... ou ainda: Tonito, Joca ou Joquinha, Tozé, Dudu, Milú (lembro-me logo do Tim-Tim...!!), Lolita (sendo portuguesa, atenção!), Milócas... Pois é: carregar estes"nomes" pela vida fora ainda que a maior parte das vezes seja em família ou entre amigos... não é fácil! Ou será que se habituam e até chegam a assinar assim?
Pior, pior são os -inho(a) ou -zinho(a). A Ofélia gostava muito, bem o sabemos!
A propósito desta metamorfose, vou tomar a liberdade de transcrever um excerto de um livro de Dóris Graça Dias:
"Sempre que um bebé nasce, quer seja rapaz ou rapariga, é teimosia dos pais atribuirem-lhe dois nomes próprios - como se não bastasse, à distinção, a herança dos apelidos.
Às primeiras palavras: mã, e pá, dá e pi, o bebé junta-lhes uma qualquer outra fonia que só os pais entendem (foram eles que lha ensinaram) aparentada com o nome: o primeiro nome!
O bebé cresce mais um bocadinho, as palavras vão tendo (quase) todas as sílabas e ensina-se à criança o nome completo, completíssimo, com apelidos e tudo.
- Se um dia te perderes no supermercado, vais ter com um senhor ou uma senhora... (etc.)
(Apavorados com a terrível ideia de nos perdermos no supermercado é logo à primeira que fixamos a extensão do nosso nome - e quando nos perdermos?... quando nos perdermos só nos há de ocorrer o primeiro de todos!)
Aparte estes cuidados e recomendações, os pais tratam-nos sempre pelo primeiro nome. Sempre... não!, os momentos de repreensão, para que não haja dúvidas, são sublinhados por aqueles dois secos vocábulos. Desaparecem inhos e zinhos - às vezes até bisam!
(Os pais são assim: preveem tudo!)
E como nos soam mal, nesses momentos, os nossos nomes próprios... Com que irritação calamos uma resposta mais pertinente; que vontade de os tratar também pelos seus.
Tudo isto para dizer que:
Na nossa íntima convivência com os avós, notaremos uma diferença. É a de nunca, por nunca ser, os avós nos tratarem pelos dois nomes próprios. A maior parte das vezes nem pelo primeiro nome nos tratam. Dão-nos a feliz sensação de, para eles, só nós existirmos. Chamam-nos filhos, queridos, pequeninos e nunca, nem mesmo quando se zangam um bocadinho (às vezes distraímo-nos e fazemo-los arreliar) nos dão esse desgosto."
in, "As Casas"
Lembro-me muito bem que comigo também se aplicava esta realidade: "Come a sopa, Mimi..."; "Mimi, come a sopa!", "Come a sopa Hermínia Maria!!!".