quinta-feira, 31 de maio de 2012

A civilização Maya...


... atraiu-me(nos) à península do Iucatão há alguns anos. Foi fascinante. Aprendi muito: a todos os níveis, desde a história à sociologia. Estamos em 2012 e as profecias por aí andam...



... vejamos este vídeo...



domingo, 27 de maio de 2012

Aquilo que se diz... e que se faz...

Talvez por deformação profissional, estou sempre muito atenta - e gosto de observar- àquilo que se vai dizendo em meu redor e também a alguns comportamentos. É por isso que, por vezes, tenho de desabafar só para não ficar engasgada...
"Hoje o pai disse que...". O pai...? Qual pai? De quem é o pai...?! Pois é: há quem utilize o artigo definido antes de "pai" ou "mãe". Não sei lá muito bem porque é que lhes repugna usarem o pronome possessivo - o meu  /  a minha. Porquê????
Reparem bem: no primeiro caso (aqueles que só usam o artigo definido), só faz sentido falarem assim se duas (ou mais...) pessoas se referirem ao mesmo progenitor. Por exemplo, a Isabel diz ao Mário: "Hoje o pai foi ao cinema." Isto está bem. É o pai deles, dos dois!!! Neste caso não é necessário usar o possessivo. Mas... se estão a falar com outras pessoas já este uso se torna necessário. "Hoje o meu pai foi ao alfarrabista...!" É bem diferente, não é?
É curioso. É mesmo muito curioso, mas... quem diz "o pai disse que..." ou "a mãe comprou..." é também aquela pessoa que diz "De todo!", quando quer dizer "De modo algum". Este reparo já aqui apareceu num outro post. Só demonstra como me causa irritação... Mais... são os mesmos que nos deixam especados - com a cara à banda - quando chega o momento do cumprimento afetuoso/familiar do beijinho. Esticamos a cara para dar dois beijinhos e... o outro só dá um... Oppsss... ficamos com a cara estendida por alguns milésimos de segundo que nos parecem uma eternidade! E o outro ficou "na boa". Bem... depois ficamos confusos: nunca sabemos quem dá dois ou um. Quer dizer, pelo "aparato" desconfiamos... e ficamos à defesa...!!!


Ainda o dito beijo...
... Não só ficamos dependurados à espera do segundo beijo, por parte dos nossos "conterrâneos", como nos podemos confrontar com uma ainda maior atrapalhação: quando somos amistosamente cumprimentados por um francês ou belga. É que nestes casos são eles que ficam esticados na nossa direção e nós... já recolhemos!!! Não estamos habituados a tanto: três beijinhos. Três!!! Sim... porque eles não poupam. Não, nada disso! Nós é que andamos na poupança. Nós...? Nós, quem? Aquela gente com tiques de burguesia construída à pressa. Ó como o beija mão faz cá falta... Aí não dava para enganar...!!!





sábado, 26 de maio de 2012

A música que nunca toquei...

...não sei qual era. Seria certamente melodiosa. Mas nunca de mim conseguiram arrancar qualquer nota musical. Como ela tinha pena...!!! Estimulava-me para que aprendesse música. Inscreveu-me num instituto musical, mas eu... fugi a "sete pés". Não tinha "ouvido". Quer dizer: nunca tive qualquer talento musical. 
Um dia apareceu com uns caderninhos de capa amarela que tinha comprado numa loja de instrumentos musicais na Baixa. Ela adorava ir à Baixa (ver montras, comprar café avulso na antiga "Casa Viana" e tomar um galão com uma bolinho na "Confeitaria Nacional"). Os caderninhos amarelos (Um Método Instantâneo) foram adquiridos com muita fé e amor na Rua 1º de Dezembro... Como é que ainda me lembro onde é que foram comprados? Simples: encontrei-os religiosamente guardados numa gaveta. Estavam por baixo de coisas a que ela dava valor. Fiquei arrepiada pois já não me lembrava deles e nem sequer imaginava que estavam "vivos". Ela não... Partiu há onze meses e deixou muitas charadas para eu descobrir. Sabia que eu ia esbugalhar os olhos, sorrir e lembrar: "Marota...!"

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Fim de semana...

... esta é uma palavra que soa bem a qualquer um de nós. Mas... nem sempre foi assim. Também não é entusiástico nos dias de hoje nalguns países...

No passado fim de semana, conversando com um amigo, recordámos um autor americano que nos explica muito do "que se passa pelo mundo". Ele é americano, do Iowa, mas viveu alguns anos na Inglaterra, mas... voltou às raízes: voltou para os Estados Unidos. Ele chama-se Bill Bryson e tem vários livros publicados sobre Muito... Cá em casa temos alguns:

Mas... o que é que o Bill Bryson tem a ver com o fim de semana...? Se calhar nada! Mas num dos seus livros sobre a os Estados Unidos, ele escreveu:

(...) Fim de semana é um conceito ainda mais recente. A palavra foi inventada em Inglaterra em 1879, mas só entrou no vocabulário americano na década de 1930. Já pelo século XX dentro, muitas pessoas ainda trabalhavam cerca de sessenta horas por semana, distribuídas por seis dias, por isso termos como "fim de semana" e "de segunda a sexta" não lhes dizia muito. A semana dos cinco dias e quarenta horas é muitas vezes atribuída a Henry Ford, mas foi, de facto, introduzida pela indústria de aço em 1923. Ford veio a seguir, em 1926. A maior parte das indústrias americanas não seguiu esta prática até à altura da Grande Depressão, quando uma semana de trabalho mais curta se tornou numa maneira conveniente de lidar com a falta de procura. Apesar do horário das 9h às 17h já se ter tornado comum para os americanos no início dos anos 40, o termo nine-to-fiver só aparece escrito em 1959. (...)
in, Made in  America



quinta-feira, 24 de maio de 2012

Uma humilde homenagem ao meu blog..

...homenagem em forma de foto. Fomos espairecer e o JP fotografou... eu apreciei... ele ofereceu-me... Depois: lanchámos como se já estivéssemos de férias. 
Um jacarandá numa zona bem ocidental da cidade. Eles já por aí começam a proliferar...




quarta-feira, 23 de maio de 2012

Livros, livros, livros...


... livros. Sempre os meus livros. Lembrei-me, hoje, do Cesário Verde...


LOURA

Eu descia o Chiado lentamente
Parando junto às montras dos livreiros
Quando passaste irônica e insolente
Mal pousando no chão os pés ligeiros.

O céu nublado ameaçava chuva,
Saía gente fina de uma igreja;
Destacavam no traje de viúva
Teus cabelos de um louro de cerveja.

E a mim, um desgraçado a quem seduzem
Comparações estranhas, sem razão,
Lembrou-me este contraste o que produzem
Os galões sobre os panos de um caixão.

Eu buscava uma rima bem intensa
Para findar uns versos com amor;
Olhaste-me com cega indiferença
Através do lorgnon provocador.

Detinham-se a medir tua elegância
Os dandies com aprumo e galhardia;
Segui-te humildemente e a distância
Não fosses suspeitar que te seguia.

E pensava de longe, triste e pobre,
Desciam pela rua umas varinas
Como podias conservar-te sobre
O salto exagerado das botinas.

E tu, sempre febril, sempre inquieta,
Havia pela rua uns charcos de água
Ergueste um pouco a saia sobre a anágua
De um tecido ligeiro e violeta.

Adorável! Na idéia de que agora
A branda anágua a levantasse o vento
Descobrindo uma curva sedutora,
Cada vez caminhava mais atento.

Mas súbito parei, sentindo bem
Ser loucura seguir-te com empenho,
A ti que és nobre e rica, que és alguém,
Eu que de nada valho e nada tenho.

Correu-me pelo corpo um calafrio,
E tive para o teu perfil ligeiro
Este olhar resignado do vadio
Que fita a exposição de um confeiteiro.

Vi perder-se na turba que passava
O teu cabelo de ouro que faz mal;
Não achei essa rima que buscava,
Mas compus este quadro natural.



in, O Livro de Cesário Verde


terça-feira, 22 de maio de 2012

domingo, 20 de maio de 2012

A poesia...

... e a música!

Fernando Pessoa declamado por Bethania. Cantado por Bethania. Para mim não há melhor combinação: o meu poeta preferido e a cantora brasileira que desde há muito admiro. O lado de lá do Atlântico olhando para nós: para a nossa cultura. 

É bonito! 


sábado, 19 de maio de 2012

O acesso cultural...

... pode existir quando são permitidas as condições. 

Vou desabafar:

Sempre senti tristeza por os nossos museus terem um horário "de atendimento ao público" (acho que esta deve ser a terminologia...) muito curto. Quem é que os pode visitar? Só os reformados e/ou os jovens estudantes (na maioria, os estudantes do secundário. Espero não ser injusta mas, cá para mim, a maioria deles porque "vai com a escola"). Quem tem uma vida normal, isto é: de trabalho, não pode ir. Já fechou!! Mas logo aparecem os que perguntam: "Mas, porque não vão ao fim de semana...?". Pois é: só que se esquecem que os fins de semana também têm de ser organizados para muitas outras coisas, quando se trabalha. Penso que seria simpático ir até um museu ao fim da tarde. Apreciar mais ou apreciar menos. Sentar. Contemplar. Tomar qualquer coisa na cafetaria (deve haver sempre um local para descansar e "digerir") e ler o folheto... É isto que tenho visto em vários países por onde tenho tido a oportunidade de viajar. E nesses museus não há só turistas, nem reformados, nem miúdos barulhentos... Há nativos!
Mas... "Nem todos têm posses económicas para ir ao museu..." dirão outros. Balelas! Tretas! Se muita gente tem dinheiro para ir ao futebol, comprar ténis de marca, encher o carrinho do supermercado com bens não essenciais, ou comprar maços e maços de tabaco por semana... Também podem pagar um bilhete para entrar. É preciso criar estímulo. A quem cabe esta função...? Acho que sei, mas não digo. Só quero dizer mais uma coisa: nos Estados Unidos há uma política muito interessante. Vamos a um museu e está lá escrito o valor da entrada. Mas... logo por baixo, está pode-se ler: "preço sugerido". E então...? Então, quem pode paga, quem não pode não dá nada ou dá só uma quantia simbólica que considera poder pagar. E ENTRAM!

Ontem (dia 18), hoje e amanhã os nossos museus estão mais generosos. Entradas gratuitas a partir das seis da tarde e até à meia noite.
Estive num (antes do horário gratuito) a assistir a uma conferência. Foi com enorme prazer que vi uma verdadeira festa à saída. Festa, porque não é um facto diário, habitual. Só uma vez por ano!!! Pobreza franciscana... Vi gente de diferentes estratos sociais (assim me parecia...) e faixas etárias a entrarem para ver.
Depois, seguimos para outro museu. Fui mostrar um dos meus preferidos ao JP que nunca lá tinha ido. Incompatibilidade de horário. Pois, aquela história com que comecei o desabafo...!!! Havia grupos de pessoas muito interessadas e a tirar notas (leia-se: apontamentos!). Crianças levadas pelos pais. Crianças que ensaiavam um concerto. Dinâmica. Atividade. Sentia-se o acesso à cultura.
Foi muito bonito. Quando voltei para casa senti-me feliz por saber que muitos tinham aproveitado esta oportunidade.


sexta-feira, 18 de maio de 2012

Ao piano...

... tocam-se melodias que nos tocam... 
Gosto muito de música. Que tipo...? Depende de várias circunstâncias, estados de espírito, ambientes... Mas - confesso - que tenho uma dedicação muito especial pela clássica e... pelo jazz.

Não sei tocar nenhum instrumento musical. Nunca soube. Quando era adolescente, foi-me oferecida uma guitarra pelo Natal. Recebi-a com alegria mas... nunca de lá saiu nenhum "som" que se parecesse com: música. Inscrevi-me numa escola para aprender a tocar, mas... nada! Foi em vão que lá andei. Não tive (nem tenho) jeito para a música, mas gosto muito. 

Gosto e tenho preferências naqueles dois estilos. Hoje (faz uma semana...) aqui deixo duas preferências que me tocam...

E também...


quarta-feira, 16 de maio de 2012

A caixa do correio...

... para que serve...?

Dantes escreviam-se cartas contando tudo o que queríamos partilhar com o(a) amigo(a). Também quando se queria responder a um anúncio, por exemplo. Ou... fazer uma reclamação. Escrevia-se com cuidado, para não rasurar, nem o papel ir amarrotado ou com nódoas. Depois, ia-se aos "Correios para comprar o respetivo selo. E como alguns eram (e ainda são...!) bonitos: alusivos a épocas, profissões, festividades, homenagens, flora animal... sei lá!
Também quando se ia de férias, passava-se uma tarde (ou mais...) a escrever postais relatando a viagem ou espicaçando para saberem por onde se andava: vistas lindas; pôr do sol com cores fabulosas... Enfim! Gostava-se que os outros sonhassem com os lugares por onde andávamos. Bem, mas o pior é que em certos lugares nem se sabia onde se podia adquirir o selo. Então, guardavam-se os postais no saco até encontrar o Correio lá do sítio. Por vezes os postais chegavam muito depois do regresso do emissor!!!

Agora... já não se vai a correr à caixa do correio mas à caixa do correio eletrónico (mais comum dizer: e-mail!). Já não se espera pelo carteiro depois das 10:30 ou depois das 17h... Não. Nada disso! Vamos ao e-mail a qualquer dois minutos... Nunca queremos que a correspondência espere! Somos mais exigentes com os "tempos", mas nem sempre a resposta vai atempada. 
Modernices! O correr do tempo e nós não podemos esperar...

Que saudades tenho da minha caixa de correio. Como elas ainda podem ser bonitas. Encontrei estas num vão de escada de uma rua citadina:



Até dá vontade de escrever para estes moradores para que eles tenham o prazer de abrir a colorida caixa...

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Anjos e Arcanjos...

... E quem é que nunca ouviu dizer: "Dorme com os anjos!", ou... "Eles dão-se como Deus com os anjos...", ainda: "Discutir o sexo dos anjos...". Há várias expressões que, ao longo da nossa vida, vamos ouvindo com a alusão aos anjos. Depois, há os que acreditam neles e... os céticos, os descrentes, os agnósticos... 

Depois pensa-se nos anjos como um menino, gordinho, de cabelo claro e encaracolado e com duas asas. Com um sorriso delicado, por vezes enigmático. Pois... Eu vejo-o de outra forma e com outras cores. Vejo-o à semelhança daqueles que considero como boas criaturas na vida terrena, qualquer que seja a raça, e... na outra. 
Curiosamente, também entre "eles" há hierarquias, como "aqui". Segundo a tradição judaico cristã, os anjos são criaturas espirituais mensageiras de Deus. E depois, vêm os arcanjos... que são os que ocupam a segunda classe na hierarquia celestial religiosa. 

Pois sejam Anjos, Arcanjos, gorduchos ou magricelas, sorrindo ou com ar sisudo, e cujo sexo é indefinido... Eu simpatizo com os meus:



sábado, 12 de maio de 2012

O Adamastor...

Esta manhã encontrei o Monstro: o Adamastor. Estava sol e calor; o rio em frente e a vontade de combater e lutar por aquilo que considero uma conquista



Adamastor cruel!... De teus furores
Quantas vezes me lembro horrorizado!
Ó monstro! Quantas vezes tens tragado
Do soberbo Oriente dos domadores!
Parece-me que entregue a vis traidores
Estou vendo Sepúlveda afamado,
Com a esposa, e com os filhinhos abraçado
Qual Mavorte com Vênus e os Amores.
Parece-me que vejo o triste esposo,
Perdida a tenra prole e a bela dama,
Às garras dos leões correr furioso.
Bem te vingaste em nós do afouto Gama!
Pelos nossos desastres és famoso:
Maldito Adamastor! Maldita fama!

Foi Bocage quem escreveu este poema relativo às profecias do dito Adamastor.




sexta-feira, 11 de maio de 2012

A metamorfose dos nomes...

Será que cada um de nós está satisfeito com o nome que tem? Será que na infância "adoravam" ter outro nome, mas com o tempo... acostumaram-se? Não sei se isto aconteceu a muitas pessoas. A mim, sim. Achava o meu nome horrível, não tanto pela sonoridade do mesmo, mas porque levava muito tempo a escrever. Uffa! Ficava cansada! Felizmente que só tenho dois nomes próprios e um apelido materno e outro paterno, como se impunha e impõe... Talvez por isso (e não só...), não tenha acrescentado mais um apelido quando casei. 
Mas... adiante!
Apesar de muitos nomes próprios  serem mais ou menos bonitos, há o hábito de pôr diminutivo (ou... alcunha). Por vezes... patéticos. Veja-se: pimpolha, besnica, fofinha, texuguinha, etc... ou ainda: Tonito, Joca ou Joquinha, Tozé, Dudu,  Milú (lembro-me logo do Tim-Tim...!!), Lolita (sendo portuguesa, atenção!), Milócas... Pois é: carregar estes"nomes" pela vida fora ainda que a maior parte das vezes seja em família ou entre amigos... não é fácil! Ou será que se habituam e até chegam a assinar assim?
Pior, pior são os -inho(a) ou -zinho(a). A Ofélia gostava muito, bem o sabemos! 
A propósito desta metamorfose, vou tomar a liberdade de transcrever um excerto de um livro de Dóris Graça Dias:
"Sempre que um bebé nasce, quer seja rapaz ou rapariga, é teimosia dos pais atribuirem-lhe dois nomes próprios - como se não bastasse, à distinção, a herança dos apelidos.
Às primeiras palavras: mã, e pá, dá e pi, o bebé junta-lhes uma qualquer outra fonia que só os pais entendem (foram eles que lha ensinaram) aparentada com o nome: o primeiro nome!
O bebé cresce mais um bocadinho, as palavras vão tendo (quase) todas as sílabas e ensina-se à criança o nome completo, completíssimo, com apelidos e tudo.
     - Se um dia te perderes no supermercado, vais ter com um senhor ou uma senhora... (etc.)
(Apavorados com a terrível ideia de nos perdermos no supermercado é logo à primeira que fixamos a extensão do nosso nome - e quando nos perdermos?... quando nos perdermos só nos há de ocorrer o primeiro de todos!)
Aparte estes cuidados e recomendações, os pais tratam-nos sempre pelo primeiro nome. Sempre... não!, os momentos de repreensão, para que não haja dúvidas, são sublinhados por aqueles dois secos vocábulos. Desaparecem inhos e zinhos - às vezes até bisam!
(Os pais são assim: preveem tudo!)
E como nos soam  mal, nesses momentos, os nossos nomes próprios... Com que irritação calamos uma resposta mais pertinente; que vontade de os tratar também pelos seus.
Tudo isto para dizer que:
Na nossa íntima convivência com os avós, notaremos uma diferença. É a de nunca, por nunca ser, os avós nos tratarem pelos dois nomes próprios. A maior parte das vezes nem pelo primeiro nome nos tratam. Dão-nos a feliz sensação de, para eles, só nós existirmos. Chamam-nos filhos, queridos, pequeninos e nunca, nem mesmo quando se zangam um bocadinho (às vezes distraímo-nos e fazemo-los arreliar) nos dão esse desgosto."
                                                                                                                                      in, "As Casas"

Lembro-me muito bem que comigo também se aplicava esta realidade: "Come a sopa, Mimi..."; "Mimi, come a sopa!", "Come a sopa Hermínia Maria!!!".

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O que se diz...

Sinto-me ofendida quando ouço certas coisas. Não, não me refiro a mexeriquices. Nada disso! Refiro-me às "ofensas" à língua portuguesa. É que, se por um lado temos aqueles que defendem o A.O. (leia-se: Acordo Ortográfico), logo aparecem os "opositores" que consideram que é um ultraje à nossa língua. Discute-se muito: uns são pró e outros são... contra. E lá levamos grandes secas sobre o assunto. Parece que só este tema merece atenção..
Mas... o que se diz... é que me preocupa. 
Imaginemos o António. Homem. Género masculino, diz "Sou obrigado a ler este blog..."; mas a Teresa. Mulher. Género feminino, já vai dizer: "Eu, cá por mim, não sou obrigada a ler estas coisas...". Pois é! Obrigado e Obrigada. O tal António, como é um homem educado, vai dizer: "É pá, estou muito agradecido por tudo o que fizeste por mim". Mas a Teresa vai dizer: "Ó minha amiga, nem imaginas como estou agradecida por me teres trazido este café..."
Mas o que me causa arrepios na espinha é ouvir um cavalheiro, charmoso ou não, dizer a uma senhora: "Obrigada, minha senhora!" Ui!!! Será que ele está a pensar obrigar a senhora a fazer algo...? A situação inversa também se verifica... E mais: já ouvi alguém dizer "Obrigados" e "Obrigadas" quando se dirigem a mais de uma pessoa... Por favor, não se esforcem tanto para agradar à pluralidade! Cuidado. Vejam lá o que dizem!
Bem... mas há mais...
A mania que muito boa gente ainda tem de colocar um irritante "s" na segunda pessoa do singular do Pretérito Perfeito Simples do Indicativo. Complicado...? Não, não é. "Jorge já lestes o artigo?". Fico com os cabelos em pé quando ouço isto.
E... mais...
"Eu direi-lhe a verdade. Prometo. Sou homem de palavra". Qual palavra, qual carapuça! Então não sabe conjugar corretamente o verbo: "Eu dir-lhe-ei que se cale e não diga disparates!".
Pensam que já acabei o desabafo...? Não, ainda não!!
Depois temos aqueles que devem andar com a cabeça à roda com tanta solicitação e se lhes perguntam: "Vais ao jantar da Mitó?", resposta: "Eu não, de todo!". Usam o "de todo" para dizerem: de modo nenhum/ de maneira nenhuma. Isto é moda, atenção!!! Ouve-se muito em certos circuitos sociais. Talvez tenham voz no tal A.O..
E... prontos... não quero incomodar mais. Prontes!!!



terça-feira, 8 de maio de 2012

Às quatro sabe bem...

Era uma vez um farmacêutico - John Pemberton - que quis criar uma espécie de tónico para combater as dores de cabeça e nem lhe passava pela dele que iria ser o inventor de um refrigerante. Ficou famosa: 
Esta marca foi criada pelo amigo Frank Robinson, que desenhou à mão o logotipo ainda hoje reconhecido em qualquer parte do mundo (ou quase...).

A garrafa tem sofrido alterações e até já há em lata, mas não é a mesma coisa.


Foi vendida "aqui" pela primeira vez no dia 8 de Maio de 1886.

domingo, 6 de maio de 2012

Para sempre...

Este ano calha a 6 de maio.
O teu último dia da mãe foi a 1 de maio de 2011. Recordo este dia como se fosse hoje. 
O Jorge estava na Madeira e eu fiquei por cá porque não estavas bem. Liguei-te de manhã (como era habitual) e combinámos que eu ia lá a casa para almoçar. A meio da manhã ligaste-me e perguntaste-me: "Ó filha, desculpa estar a ligar mas... eu não me estou a sentir nada bem... se puderes...". Larguei tudo e "voei" para a tua casa. Quando entrei estavas deitada na cama absolutamente branca, sem forças, a tremer e com uma lágrima a escorrer por me estares a incomodar. Nunca me querias incomodar. Eras assim: adoravas-me mas não eras possessiva. Respeitavas o meu espaço. Peguei-te na mão, dei-te beijinhos e disse-te para descontraíres, deite-se água com açúcar, pois deveria ser uma baixa de tensão.. Claro que não era. Eram as plaquetas. Nome com o qual me familiarizei. Passado algum tempo consegui que te levantasses e fomos almoçar o almoço que tinhas começado a preparar. Havia farófias para sobremesa - sabe-se lá com que sacrifício me fizeste a última sobremesa! A tarde foi passada na cama. Ansiava que o Jorge voltasse. Quando chegou ficámos contigo até à noite. Sempre fraca mas sorrindo com as patetices que eu ia dizendo e com o Jorge a contar como tinha sido o Congresso. 
Combinámos que te ia buscar no dia seguinte para ires fazer análises e recomeçar mais uma série de quimio...

... Foi assim o nosso último dia da mãe

Querida: tenho saudades tuas, mas sinto o teu cheiro, o teu sorriso. Amo-te.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Bon-sai...

... significa árvore em bandeja. Nós dizemos: Bonsai. Sempre tive muita curiosidade por tudo o que se refere à cultura japonesa. Nunca lá estive, mas sei de quem já tenha estado e me tenha contado sobre a sensibilidade e arte com que os japoneses cuidam e mantêm as plantas, árvores, flores... Curiosamente sempre pensei que esta arte tinha tido início no Japão. Mas não... vim a saber que foi na China. Os chineses foram os primeiros a cultivar árvores e arbustos em vasos de cerâmica. 
E esta, hein...? Estamos sempre a aprender. 

Aprendi a "conhecer" e tratar desta pequena árvore com ele. Ele gostava muito. Digamos que era um apaixonado pela natureza: plantas (incluindo o bonsai...), animais...etc. Ofereceu-nos dois. Cuidámos bem deles mas... acabaram. 

Sempre que temos oportunidade vamos admirá-los. E sei que ambos nos lembramos dele.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

É maquiavélico...

O florentino Nicolau Maquiavel tornou-se conhecido como historiador, filósofo, poeta e diplomata. Escreveu sobre o Estado e o Governo: como na realidade são e não como deveriam ser. Este facto levou a que ficasse sendo reconhecido como o fundador do pensamento e da ciência política moderna.

Aqui fica um pensamento de Maquiavel:

Há três espécies de cérebros: uns entendem por si próprios; os outros discernem o que os primeiros entendem; e os terceiros não entendem nem por si próprios nem pelos outros; os primeiros são excelentíssimos; os segundos excelentes; e os terceiros totalmente inúteis.




Uma das frases mais célebres de Nicolau Maquiavel foi/é: "Os fins justificam os meios" e era aplicada às pessoas que eram firmes e assertivas quanto aos seus objetivos. Com o tempo a palavra foi sofrendo modificações e deturpando-se. Hoje em dia é aplicada a todo aquele que age de forma injusta.


 "Ó pá! Tu és maquiavélico!"



quarta-feira, 2 de maio de 2012

O Homem que procurou a perfeição...

... morreu no dia de hoje em 1519, em Cloux. Dedicou a sua vida à pintura, escultura, arquitetura, engenharia e à ciência renascentista italiana. Deixou uma vasta obra. É impossível que fiquemos indiferentes aos seus trabalhos. Ele chamava-se Leonardo da Vinci.
 Mona LisaA Virgem das Rochas, A Última Ceia,  e muito mais...
Quando vi este quadro pela primeira vez, no Louvre, fiquei arrepiada por até àquele momento só o ter visto nos livros... e "Agora estava mesmo ali...", mas... o quadro surpreendeu-me por ser bem mais pequeno do que sempre tinha imaginado. E depois: andar, andar, andar, ver rápido! A segurança não se condoía com a minha admiração. Voltei mais vezes!! Fantástico. Aquele olhar...
 A Virgem das Rochas (ou: Madona dos Rochedos) é uma obra curiosa, pois... existem dois quadros iguais: um no Museu do Louvre e outro (uma cópia feita pelo pintor e com a ajuda dos seus assistentes) na National Gallery. Já vi os dois e... confesso: ambos os quadros impressionam pela perfeição. O Dan Brown atreveu-se a contar uma "história" sobre este quadro, mas...Who know's?
A  Última Ceia. Está no Convento de Santa Maria delle Grazie - Milão. Mas... ainda não vi esta pintura. Já lá fui várias vezes... até à porta, mas sem marcação. Resultado: AINDA NÃO vi!!! Aqui fica a confissão de um pecado: um dia... tentei, (melhor: tentámos! Éramos 5!!!) subornar o jovem que estava na receção... pedimos, pedinchámos, contámos histórias comovedoras... mas: nada! 
Mas eu vou!

Aqui fica uma das muitas frases de Leonardo da Vinci. A frase reflete a sua filosofia de vida. A perfeição!
Que o teu trabalho seja perfeito para que, mesmo depois da tua morte, ele permaneça.

terça-feira, 1 de maio de 2012

1º de maio...

... foi neste dia que foi inaugurado o Empire State Building, em 1931. Naquela época era o edifício mais alto de Nova Iorque mas deixou de ser com a construção do World Trade Center, também agora já não o é devido às dimensões da nova construção no mesmo espaço daquele. 
O nome deste conhecido e emblemático edifício deve-se ao facto de ter sido construído um pouco antes da queda da Bolsa de Valores em 1929. Então... quanto foi inaugurado havia uma procura diminuta de escritórios e ganhou a alcunha de Empty Space Building...

Bem, o que quero dizer é que tem uma vista fantástica lá de cima: quer de dia quer de noite. É fantástico!



E dizem que o King Kong esteve lá em 1933... Talvez por isso não nos tenhamos cruzado no elevador...