... cidade de canais, de amor, de cinema. Uma visita rápida porque o tempo é curto. Partilho com os Amigos a cidade das máscaras mas que é bem real.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Um presente...
... jurássico!
O seu nome próprio é: Myophorella lusitanica. Pertence ao período jurássico superior: 160 a 175 milhões de ano. Este fóssil foi íntimo de dinossauros e outros mais...Tem uma vida longa e cheia de histórias que podemos imaginar e sonhar.
domingo, 29 de abril de 2012
José Carlos Barros
Chove mais uma vez
chove mais uma vez
oiço lá fora o barulho da água a correr nas caleiras
a espalhar-se nos passeios de cimento
estou na sala da casa da
minha avó
passo a ponta dos dedos pela gravura
japonesa da tampa da
caixa de costura
há um único livro
a velhice do padre eterno
os versos do meu pai em folhas quase
transparentes
chove mais uma vez
a infância é um pássaro aceso nos ramos das árvores
um território de meteoros incendiados
numa bacia de plástico
com água
da chuva
chove mais uma vez
oiço lá fora o barulho da água a correr nas caleiras
a espalhar-se nos passeios de cimento
estou na sala da casa da
minha avó
passo a ponta dos dedos pela gravura
japonesa da tampa da
caixa de costura
há um único livro
a velhice do padre eterno
os versos do meu pai em folhas quase
transparentes
chove mais uma vez
a infância é um pássaro aceso nos ramos das árvores
um território de meteoros incendiados
numa bacia de plástico
com água
da chuva
in "Rumor"
sábado, 28 de abril de 2012
La Didone Abbandonata...
Chamava-se Luísa Rosa de Aguiar, mas após o casamento acrescentou Todi, e foi como Luísa Todi que ficou conhecida no meio teatral - no início - e depois como cantora lírica.
Foi com a ópera La Didone Abbandonata que alcançou grande exito.
Segundo dizem, Luisa Todi era uma mulher cheia de encanto. Bonita. Elegante. Atraente... Com certeza que sim, tendo em atenção a estátua que está na cidade onde nasceu.
Construção...
Nascemos para construir. Nem sempre o conseguimos: não temos talento; não nos deixam; não temos tempo. Sempre o tempo e a falta dele para construir. Mas construir o quê...? A VIDA, diria eu com toda a minha convicção. Hoje ainda mais do que ontem..
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Fiama Hasse Pais Brandão
Viver na Beira-Mar
Nunca o mar foi tão ávido
quanto a minha boca. Era eu
quem o bebia. Quando o mar
no horizonte desaparecia e a areia férvida
não tinha fim sob as passadas,
e o caos se harmonizava enfim
com a ordem, eu
havia convulsivamente
e tão serena bebido o mar.
Nunca o mar foi tão ávido
quanto a minha boca. Era eu
quem o bebia. Quando o mar
no horizonte desaparecia e a areia férvida
não tinha fim sob as passadas,
e o caos se harmonizava enfim
com a ordem, eu
havia convulsivamente
e tão serena bebido o mar.
in "Três Rostos-Ecos"
O nosso lado infantil...
Todos nós já fomos crianças. Todos nós "ainda" temos uma criança cá dentro. Uns... têm vergonha de mostrar esse lado, porque se calhar os "outros vão pensar" que somos irresponsáveis. Outros não. A mim, parece-me saudável, até mesmo inteligente, dar largas à libertação desse lado infantil. Nada tem de mal; nem de constrangedor; nem revela qualquer tipo de "incompetência"!
Nunca gostei de ir ao circo. Provocava em mim insegurança, medo: tinha medo que os trapezistas caíssem; os animais se soltassem para as bancadas e nos devorassem; os palhaços eram patéticos e a música era sempre agitada e alta. Tudo isto me enervava.
Mas... há palhaços e palhaços (tal como no nosso dia a dia...). Há espetáculos infantis que encantam os adultos: Slava.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Ruínas...
... de Tróia.
Quando falamos de Tróia, associamos logo a uma vasta e belíssima praia de areia branca e resorts. lugar digno de umas refasteladas férias ou fim de semana ao sol... Mas... é mais do que isso. Poucos conhecem: as Ruínas Romanas.
Estas ruínas são constituídas por um enorme complexo de produção de salga de peixe e remonta à primeira metade do século I. Este espaço esteve ocupado até ao século VI. Dada a situação geográfica, a pesca, vinda do Atlântico, era salgada nestas margens do rio Sado.
As ruínas estão localizadas a nordeste da península mas, naquela época, era uma ilha. Chamava-se: ilha de Ácala.
Nestas ruínas podem-se ver: oficinas de salga, tanques onde se preparavam as conservas; termas; um "aglomerado" habitacional com casas rés do chão e primeiro andar (na Rua da Princesa...); um mausoléu e diferentes tipo de sepulturas.
Saber servir, saber tomar...
Gosto muito de tomar chá/café, de preferência com alguém com quem sinta afinidade. É sempre um belo pretexto para descansar, conversar, trocar impressões. O que é mesmo bom, é fazê-lo sem pressas e sentada. Mas o que é mesmo bom, muito bom é tudo isto e o serviço ser acolhedor, simpático, atencioso (sem excesso de lamechices...). Bem, se for em nossa casa... também o "serviço" deverá corresponder a estes requisitos.
O que é que custa servir o chá/café em chávenas lavadas, sem lascas, com uma colher também em bom estado de alma e lavada? E se vier num bule, ainda que de linhas simples e sem ser de porcelana, melhor ainda.
Quer em casa quer num lugar aprazível para este convívio com a teína ou cafeína há regras de bem servir. E... podem ser tão simples e poéticas, mesmo.
Exemplo:
“Aqueles que não conseguem sentir a pequenez das grandes coisas em si mesmos tendem a não notar nos outros a grandeza das pequenas coisas.” in Kakuzo Okakura
terça-feira, 24 de abril de 2012
Livros, livros, livros...
Mais uma Feira do Livro (Lisboa).
Desde adolescente que tenho o hábito de ir à feira. Já fui à feira na Av. da Liberdade, no Terreiro do Paço e desde há alguns anos: no Parque Eduardo VII.
Levo o ano inteiro nas livrarias: para ver o que vai saindo, para folhear, para comprar... A casa está cheia de livros. É claro que tenho uma grande percentagem de livros que ainda não li. Outros, comecei e não os li até ao fim; outros li e reli. Enfim, uma confusão. Mas fazem parte de mim. Conheço melhor os meus livros do que o que há na despensa... Mal comparado, não?
Voltando à Feira.
Durante estes anos, já lá fui sozinha; com as primas; com os amigos; com o JP. O ritual é bisbilhotar bem o que há em cada stand (barraquinha, como eu prefiro chamar); caminhar ao longo das fileiras dos mesmos; comer uma fartura e/ou um gelado.
Hoje, foi o primeiro dia de visita. Estava frio. Comprámos uns livros. Comemos a "nossa" fartura, mas... faltava qualquer coisa. O que era...? Alguma coisa me estava a faltar... Por fim, dei-me conta: os jacarandás ainda não estão em flor. A feira não tem a cor dos jacarandás. Que pena. Faltava o calor. Aliás, diferentes tipos de calor...
O ano passado faltei. Creio que foi o único ano. Uma tarde ainda tentei ir, mas logo que cheguei ao Parque ela ligou-me. Estava cheia de dores. Voltei a correr para junto dela e lá fiquei. Ela sentiu-se culpada por eu não ter ido (bem sabia o quanto eu adorava ir à Feira do Livro!!) e lamentou-o ainda que tivesse ficado mais calma com a minha presença. Eu respondi-lhe:" Deixa lá! Há mais marés do que marinheiros...". E assim foi... Uns partem, outros ficam.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
William Shakespeare
Poeta do amor. Morreu em 1616 neste dia...
Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém...
Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim...
E ter paciência para que a vida faça o resto...
Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém...
Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim...
E ter paciência para que a vida faça o resto...
domingo, 22 de abril de 2012
Alberto Caeiro
Ao passear por uma praia quase deserta encontrei esta casa.
Simples. Desabitada: portas e janelas fechadas. De quem é? Pescadores...? Não sei. Uma casa que me fez sonhar. Uma casa que me fez lembrar este poema:
Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas noites,
E a minha voz contente dá as boas noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,
A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito.
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.
Maurits Cornelis Eschler
Aqui ficam alguma trabalhos impressionantes que o holandês M.C. Eschler nos deixou...
São alguns dos meus preferidos...
Ninguém fica indiferente aos trabalhos deste extraordinário e original artista...
São alguns dos meus preferidos...
Ninguém fica indiferente aos trabalhos deste extraordinário e original artista...
Dia Mundial da...
...terra!
Não sendo muito o meu género celebrar o dia-mundial-do-que-quer-que-seja, este é um tema que muito me faz pensar e preocupar: a terra; a poluição; o meio ambiente. A preservação do nosso planeta é um assunto ao qual dedico atenção
A pensar neste tema, lembrei-me de um gato chamado Zorbas e de uma gaivota que dá pelo nome de Kengah. São dois animais simpáticos, personagens de uma bela história contada por Luís Sepúlveda (o escritor chileno que eu aprecio).
Aqui deixo um extrato:
O Fim de um Voo
O gato grande, preto e gordo estava a apanhar sol na varanda, ronronando e meditando acerca de como se estava bem ali, recebendo os cálidos raios pela barriga acima, com as quatro patas muito encolhidas e o rabo estendido.
No preciso momento em que rodava preguiçosamente o corpo para que o sol lhe aquecesse o lombo ouviu o zumbido provocado por um objecto voador que não foi capaz de identificar e que se aproximava a grande velocidade. Atento, deu um salto, pôs-se de pé nas quatro patas e mal conseguiu atirar-se para se esquivar à gaivota que caiu na varanda.
Era uma ave muito suja. Tinha todo o corpo impregnado de uma substância escura e mal cheirosa.
Zorbas aproximou-se e a gaivota tentou pôr-se de pé arrastando as asas.
- Não foi uma aterragem muito elegante - miou.
- Desculpa. Não pude evitar - reconheceu a gaivota.
- Olha lá, tens um aspecto desgraçado. Que é isso que tens no corpo? E que mal que cheiras! - miou Zorbas.
- Fui apanhada por uma maré negra. A peste negra. A maldição dos mares. Vou morrer - grasnou a gaivota num queixume.
- Morrer? Não digas isso. Estás cansada e suja. Só isso. Porque é que não voas até ao jardim zoológico? Não é longe daqui e lá há veterinários que te poderão ajudar - miou Zorbas.
- Não posso. Foi o meu voo final - grasnou a gaivota numa voz quase inaudível, e fechou os olhos.
- Não morras! Descansa um bocado e verás que recuperas. Tens fome? Trago-te um pouco da minha comida, mas não morras - pediu Zorbas, aproximando-se da desfalecida gaivota.
(...)
in"História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar"
Esta fábula é muito bonita e cheia de ternura, com ela aprendemos muito porque chama a atenção da poluição irresponsável dos oceanos por parte das companhias de navegação e petrolíferas.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Bob Marley
Gosto da música deste cantor, guitarrista e compositor jamaicano que morreu em 1981.
Para além de cantar bem (na minha modesta opinião...) também dizia algumas verdade...
Se Deus criou as pessoas para amar, e as coisas para cuidar. Por que amamos as coisas e usamos as pessoas?
Para além de cantar bem (na minha modesta opinião...) também dizia algumas verdade...
Se Deus criou as pessoas para amar, e as coisas para cuidar. Por que amamos as coisas e usamos as pessoas?
Às vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas... O tempo passa... e descobrimos que grandes mesmo eram os sonhos e as pessoas pequenas demais para torná-los reais!
Eu sou do tamanho daquilo que SINTO, que VEJO e que FAÇO, não do tamanho que os outros me enxergam.
Confidência:
Um dia, numa viagem com amigas, havia um "grupo" de "tipos" que fazia grande algazarra no avião. Estávamos furiosas com tanta falança (em inglês). Protestámos. Barafustámos. Mas... quando chegámos ao destino e os vimos de perto... reconhecemos que eram os músicos de Bob Marley (já depois de ele ter morrido). Perdoámos. Ficámos arrependidas de não lhes termos pedido para cantarem só para nós... Ah ah ah.
Escher
Mauritus Cornelius Escher, artista gráfico holandês. Ficou conhecido devido às imagens que criavam (e ainda criam...) um efeito de ilusão ótica muito curioso.
Quando me deram a conhecer este artista não senti muita simpatia... se calhar por ser míope e ter astigmatismo...!! Desfocava tudo e... não me agradava. Depois comecei a gostar e já vi exposições com partes da obra dele.
Aqui fica um cheirinho...
Ainda Yukio Mishima...
Kimitake Hiraoka escolheu Yukio Mishima como nome artístico.Nasceu em Tóquio e teve uma infância difícil, marcada por acontecimentos que marcaram fortemente a sua escrita. Em criança foi separado dos pais e passou a viver com a avó paterna. A avó não lhe permitia grandes liberdades e ele tinha de estar sempre debaixo de olho... Esta educação tão dura fez com que ele tivesse uma infância isolada.
Deixou obra. Estes são os meus preferidos.
Aqui fica um pouco de "O marinheiro que perdeu as graças do mar"
(...) Mas Noboru não era capaz de se manter sentado e quieto. Saltou para fora do carro e percorreu o cais cheio de movimento, inspeccionou os batelões amarrados em baixo e explorou os hangares que não estavam fechados.
Dentro do maior, empilhadas quase até às vigas de aço verdes do telhado, havia caixotes novos de madeira branca com cantoneiras metálicas pretas e com palavras em inglês impressas nas faces laterais. Ao percorrer com a vista uma via de manobras que ia desaparecer por entre as montanhas de mercadorias, Noboru sentiu o mesmo arrepio de alegria que, nos sonhos em que entram comboios, todas as crianças sentem ao chegar ao fim da linha, e também um certo desapontamento: era como percorrer o curso de um rio familiar e descobrir a sua minúscula nascente.
- Mamã! Mamã! - Correndo para o carro, Noboru batia com as mãos no vidro da janela: tinha descoberto Ryuji de pé junto do molinete da âncora, à proa.
Fusako saiu do carro e acenaram ambos para o vulto distante, Ryuji, de camisa de kaki suja, levantou uma mão em resposta e desapareceu logo, atarefado. Noboru dedicava os seus pensamentos ao marinheiro que estava a trabalhar e em breve iria partir; sentia-se cheio de orgulho. (...)
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Estamos em abril...
Já estamos em abril. Ainda estamos em abril... Aqui ficam provérbios de abril:
Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado.
Abril, abril, está cheio o covil.
Em abril águas mil.
Em abril queima a velha o carro e o carril.
Em abril, cada pulga dá mil.
Em abril, lavra as altas, mesmo com água pelo machil.
Em abril, vai onde deves ir, mas volta ao teu covil.
Inverno de março e seca de abril, deixam o lavrador a pedir.
Não há mês mais irritado do que abril zangado.
No princípio ou no fim, costuma abril a ser ruim.
Quando vem março ventoso, abril sai chuvoso.
Quem em abril não varre a eira e em maio não rega a leira, anda todo o ano em canseira.
Uma água de maio e três de abril valem por mil.
Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado.
Abril, abril, está cheio o covil.
Em abril águas mil.
Em abril queima a velha o carro e o carril.
Em abril, cada pulga dá mil.
Em abril, lavra as altas, mesmo com água pelo machil.
Em abril, vai onde deves ir, mas volta ao teu covil.
Inverno de março e seca de abril, deixam o lavrador a pedir.
Não há mês mais irritado do que abril zangado.
No princípio ou no fim, costuma abril a ser ruim.
Quando vem março ventoso, abril sai chuvoso.
Quem em abril não varre a eira e em maio não rega a leira, anda todo o ano em canseira.
Uma água de maio e três de abril valem por mil.
A maioria deste provérbios são inteiramente desconhecidos por mim. Mas sei de quem os sabe na ponta da língua...
Ainda sinto os cheiros...
Há cheiros que nos acompanham pela vida fora. Cheiros de lugares, de passeios, de... de...
Neste meu blog vou partilhar, com quem me segue, um "quase" segredo. Escutem com atenção...
Quando era miúda não queria ir para a escola. Contrariando toda a família, dizia que queria ser analfabeta. Não queria aprender nem números nem letras. Dores de cabeça para a minha mãe, principalmente. Lá andava ela a perseguir-me com a "Cartilha João de Deus" na vã tentativa de me estimular. Mas eu não queria. Quando a tia me confrontava com a pergunta:"Então, filha: e quando quiseres ir à Baixa e quiseres saber qual o elétrico que precisas apanhar, não sabes o número...". Ao que respondia: "Não faz mal. Pergunto!". Era sempre assim que respondia. Facilitava a minha vida futura.
Mas teve de chegar o dia. Fui contrariada e nervosa. Mas vim de lá a cantarolar. Fui sempre aplicada e boa aluna (modéstia à parte). Tinha Muito Bom nas provas e andava ao despique com outra menina (da qual perdi o rasto e anos mais tarde vim a saber que tinha tirado o mesmo curso que eu e exercía...).
Mas... e os cheiros...? Onde vêm eles? Aqui mesmo, bem diferentes dos de hoje em dia que só cheiram a plástico.
Todos estes cheiros me faziam ser aplicada dia após dia. Acompanharam-me sempre. Olhando para as imagens relembro como se fosse hoje: letra direitinha no caderno de duas linhas; caderno sem rasuras graves... O mundo era perfeito!
terça-feira, 17 de abril de 2012
Tenho uma "panca" por azulejos...
Gosto mesmo muito de azulejos. De facto é uma arte que eu considero bem portuguesa. Bem... se calhar os espanhóis e os holandeses também dizem, mais ou menos, o mesmo! Não me importa: eu acho que eles têm muito a ver connosco.
Gosto dos que estão no Museu do Azulejo e dos que revestem o interior da Igreja da Madre de Deus. Gosto dos que cobrem a Casa Viúva Lamego. Gosto dos que estão no Palácio Marqueses de Fronteira. Gosto dos que cobrem muitos edifícios nesta cidade que é a minha e também noutras: Santarém e Porto, são um exemplo.
Esta tarde ao sair...
encontrei-a. Melhor: olhei para ela. Sorri-lhe. Reguei-a. As memórias vieram até mim mas com muita tranquilidade. Adoro-a.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Um poema de um Grande Homem...
À DESCOBERTA DO AMOR
Ensaia um sorriso
e oferece-o a quem não teve nenhum.
Agarra um raio de sol
e desprende-o onde houver noite.
Descobre uma nascente
e nela limpa quem vive na lama.
Toma uma lágrima
e pousa-a em quem nunca chorou.
Ganha coragem
e dá-a a quem não sabe lutar.
Inventa a vida
e conta-a a quem nada compreende.
Enche-te de esperança
e vive á sua luz.
Enriquece-te de bondade
e oferece-a a quem não sabe dar.
Vive com amor
e fá-lo conhecer ao Mundo.
Ensaia um sorriso
e oferece-o a quem não teve nenhum.
Agarra um raio de sol
e desprende-o onde houver noite.
Descobre uma nascente
e nela limpa quem vive na lama.
Toma uma lágrima
e pousa-a em quem nunca chorou.
Ganha coragem
e dá-a a quem não sabe lutar.
Inventa a vida
e conta-a a quem nada compreende.
Enche-te de esperança
e vive á sua luz.
Enriquece-te de bondade
e oferece-a a quem não sabe dar.
Vive com amor
e fá-lo conhecer ao Mundo.
Mahatma Gandi
domingo, 15 de abril de 2012
Um sentimento diferente, uma cultura diferente...
Um dos meus escritores japoneses preferidos é Yukio Mishima. De entre outros livros gosto particularmente deste - O Tumulto das Ondas.
"(...) O irmão mais novo de Shinji regressara à ilha. As mães tinham ido todas ao fim do molhe esperar os filhos. Caía uma chuva fina e não se via o mar largo. O ferry-boat estava já a cerca de cem metros do cais quando irrompeu subitamente do meio da bruma. As mulheres puseram-se a gritar em coro pelo nome dos filhos. Conseguiam já distinguir claramente os bonés e os lenços agitados pelas crianças na ponte do navio.
O barco acostara. Mas, mesmo depois de já estarem em terra junto às mães, os jovens estudantes limitaram-se a sorrir-lhes ao de leve e começaram logo de seguida a brincar uns com os outros. Não lhes agradava terem que mostrar o seu afecto pela mãe em presença uns dos outros. (...)"
Fui ao baú sadino...
... e lá encontrei um caderno da primária. No caderno há composições (naquela época chamava-se: redacção!!!); ditados; cópias e... desenhos dignos de um verdadeiro artista. Ainda hoje é artista, mas... noutras artes. Capta as imagens de modo diferente. Aqui dá a ideia que ele já esteve na selva mas, cá para mim: só os viu no Zoo.
Bonita recordação guardada pela MA.
Obs.: Foi classificado com um Bom!!!
Um poema Sufi...
Sofreste por excesso
por tua ignorância,
carregaste teus trapos
para um lado e para outro,
agora fica aqui.
Na verdade, somos uma só alma, tu e eu.
No mostramos e nos escondemos tu em mim, eu em ti.
Eis aqui o sentido profundo de minha relação contigo,
porque não existe, entre tu e eu, nem eu, nem tu.
por tua ignorância,
carregaste teus trapos
para um lado e para outro,
agora fica aqui.
Na verdade, somos uma só alma, tu e eu.
No mostramos e nos escondemos tu em mim, eu em ti.
Eis aqui o sentido profundo de minha relação contigo,
porque não existe, entre tu e eu, nem eu, nem tu.
Poema de Jalaluddin Rumi
Momentos infantis num sábado de chuva...
Mas para o que nos havia de dar... desde cantar o "Atirei o Pau ao Gato", para ver se a nova tecnologia reconhecia a "canção" (...???...), até à tentativa de tocar o pifarinho...
Obrigada ao meu amigo JM recém chegado de uma encantadora à Roménia e Ucrânia!
| Foi na loja do Mestre André que eu comprei um pifarito, tiro, liro, lir'um pifarito, Ai olá, ai olé, Foi na loja do Mestre André. Ai olá, ai olé, Foi na loja do Mestre André.Foi na loja do Mestre André que eu comprei um pianinho, plim plim plim, um pianinho, tiro, liro, lir'um pifarito, Ai olá, ai olé, Foi na loja do Mestre André. Ai olá, ai olé, Foi na loja do Mestre André. Foi na loja do Mestre André que eu comprei um tamborzinho, tum tum tum, um tamborzinho, plim plim plim, um pianinho, tiro, liro, lir'um pifarito, Ai olá, ai olé, Foi na loja do Mestre André. Ai olá, ai olé, Foi na loja do Mestre André. Foi na loja do Mestre André que eu comprei uma campaínha, tlim tlim tlim, uma campainha, tum tum tum, um tamborzinho, plim plim plim, um pianinho, tiro, liro, lir'um pifarito, Ai olá, ai olé, Foi na loja do Mestre André. Ai olá, ai olé, Foi na loja do Mestre André. | Foi na loja do Mestre André que eu comprei uma rabequinha, Chiribiri-biri, uma rabequinha, tlim tlim tlim, uma campainha, tum tum tum, um tamborzinho, plim plim plim, um pianinho, tiro, liro, lir'um pifarito, Ai olá, ai olé, Foi na loja do Mestre André. Ai olá, ai olé, Foi na loja do Mestre André.Foi na loja do Mestre André que eu comprei um rabecão, Chiribiribão, um rabecão, Chiribiri-biri, uma rabequinha, tlim tlim tlim, uma campainha, tum tum tum, um tamborzinho, plim plim plim, um pianinho, tiro, liro, lir'um pifarito, Ai olá, ai olé, Foi na loja do Mestre André. Ai olá, ai olé, Foi na loja do Mestre André. | |
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Manuel da Fonseca - o poeta alentejano
Este é um dos meus poemas preferidos do Manuel da Fonseca. Já foi musicado, por acaso...
Noite de Verão
Quando é no Verão das noites claras
e faz calor dentro da gente,
… aquela menina casadoira,
que mora junto ao largo,
vem à varanda ver a Lua.
Roçando o corpo, devagar,
descem por ela as mãos da noite:
sente-se nua.
Sente-se nua, na varanda,
já tão senhora do seu destino,
sem medo às estrelas nem às mãos da noite
- mas baixa os olhos se algum homem passa…
Noite de Verão
Quando é no Verão das noites claras
e faz calor dentro da gente,
… aquela menina casadoira,
que mora junto ao largo,
vem à varanda ver a Lua.
Roçando o corpo, devagar,
descem por ela as mãos da noite:
sente-se nua.
Sente-se nua, na varanda,
já tão senhora do seu destino,
sem medo às estrelas nem às mãos da noite
- mas baixa os olhos se algum homem passa…
Uma escada bonita...
Sou uma privilegiada: todos os dias há uma porta que se abre e que me deixa usufruir desta beleza...
... começo a subir e...
é um enorme prazer passar por estas escadas. Onde é...? Onde é...?
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Livros, livros, livros...
Como nasci num mês de férias - agosto - nunca tinha amiguinhas com quem brincar durante as férias grandes de verão. Eram mesmo umas férias grandes! Claro que brincava com as primas, mas... elas eram um pouco mais velhas. Naquele tempo fazia uma enorme diferença. Mas essa diferença foi-se esfumando com o tempo e, agora, já não há diferença de idades. Claro: elas ainda estão mais de acordo com esta afirmação!!!
Mas, ia eu dizendo... nas férias grandes eu tinha muito tempo para tudo e gostava de sonhar. Sonhava sugestionada com as leituras da época: "Os Sete" de Enide Blyton. Era fascinante! Eu queria participar naquelas aventuras. Imitá-los e esse era o motivo que me levava para o Jardim daquela belíssima casa já aqui "postada". Ali fazíamos as nossas aventura e eu... sonhava...
Ao crescer mudei um pouco a leitura de verão. Uma das tias vivia numa vivenda paredes meias com Odette de Saint Maurice. Essa "vizinha" era "escritora". Hummm... como tudo isso me fascinava. Comecei a ler alguns dos livros dela. Mas... para que continuasse a sonhar e os sonhos fossem mais "reais" (?), lá ia eu "espiar" o jardim dela, o qual era o cenário para muitos dos contos dos livros publicados.
Atente-se bem a estes títulos... Que idílico!!!
Atente-se bem a estes títulos... Que idílico!!!
O tempo foi passando. Alguns sonhos confrontaram-se com a realidade. Cresci. E agora, olhando para trás, lembro-me perfeitamente que o livro que mais me marcou, fez-me efetivamente sonhar (ao ponto de não conseguir dormir e ter de acender a luz para continuar a ler. Estava "dentro" dos personagens!). Este provocador e causador da minha paixão pela leitura foi o Eça com "Os Maias":
domingo, 8 de abril de 2012
Coisas boas da vida que passa...
... a nossa vida vai passando a cada dia, com coisas boas que nos fazem rir e ter vontade de viver e... outras menos boas mas que são um teste à nossa capacidade de sobreviver e ir em frente.
Há pessoas que vão passando pela nossa vida e... uns deixam marcas, saudades... outros: passam, simplesmente. Mas há aqueles que ficam connosco incondicionalmente no bom e no mau. Os que sabem rir e chorar connosco. Os que nos aconselham e criticam quando o consideram e nós precisamos. Isto é muito bom!
Também é mágico quando pensamos já ter todos os amigos com letra "A" e devagar, como quase por casualidade, vão surgindo outros. Não nos conhecíamos há cinco anos atrás. Mas souberam construir um caminho para aqui chegar. Para chegar a uma amizade que nos faz voar e acreditar que nunca devemos fechar portas.
Aos meus amigos tenho um segredo para dizer: Gosto muito de vocês!
Aqui fica um poema de Machado de Assis:
BONS AMIGOS
Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!
Ai que sol tão reconfortante...
Já que me referi, no post anterior, às memórias do passado e porque estive numa esplanada debruçada sobre o Tejo, aqui fica um "voltar atrás no tempo"...
"Da esplanada em vão me projecto
Para lá de onde me sinto.
Tento ver sem me ver
Na esperança súbita de saber
Em que movimentos me finto.
Naquele entrecruzar constante
Neste chocar sem chocar
Onde o espaço é quase tudo
e o tempo quase nada
me tento em vão ver passar.
Uns vão rindo outros sorrindo
outros vão de rosto mudo
há quem simplesmente vá indo
Na fé que o vento varra tudo
Mas eis que um olhar diferente
vestes tu a esvoaçar
como se à muitos prédios
não nos tirassem o ar.
Na fronte leva a certeza
De mar manso em lua cheia
deixo 20 paus na mesa
vou apanhar a boleia"
(Trovante)
Para lá de onde me sinto.
Tento ver sem me ver
Na esperança súbita de saber
Em que movimentos me finto.
Naquele entrecruzar constante
Neste chocar sem chocar
Onde o espaço é quase tudo
e o tempo quase nada
me tento em vão ver passar.
Uns vão rindo outros sorrindo
outros vão de rosto mudo
há quem simplesmente vá indo
Na fé que o vento varra tudo
Mas eis que um olhar diferente
vestes tu a esvoaçar
como se à muitos prédios
não nos tirassem o ar.
Na fronte leva a certeza
De mar manso em lua cheia
deixo 20 paus na mesa
vou apanhar a boleia"
(Trovante)
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